Quando soube que Zuza Homem de Mello lançaria um novo livro, fiquei logo atento. Ao saber que o tema seria a história do samba-canção, fiquei ainda mais entusiasmado com a notícia.
Pouco antes, Ruy Castro, outro excelente autor, lançara o excepcional A noite do meu bem - A história e as histórias do samba-canção, que rapidamente adquiri e li com prazer.
Jornalista e escritor Ruy Castro, autor das biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda, entre outros.
Finalmente, em 2017, depois de mais de dez anos de pesquisa, a editora 34 e as edições Sesc lançaram Copacabana, a trajetória do samba-canção - 1929-1958, o tão esperado livro de Zuza Homem de Mello.
Saudoso Zuza Homem de Mello, autor de obras fundamentais sobre a música brasileira.
Pensei que Ruy Castro havia esgotado o assunto, como fez no seu imprescindível e definitivo Chega de saudade, a história e as histórias da bossa nova. Ledo engano da minha parte. O livro do Zuza, não menos espetacular, chega a ser ainda melhor.
Tanto A noite do meu bem quanto Copacabana são obras de primeira, escritas por dois craques das letras e das pesquisas sobre a nossa música popular. Os respectivos títulos, inspirados por dois clássicos do gênero, A noite do meu bem, obra-prima da eterna Dolores Duran, e Copacabana, de Braguinha e Alberto Ribeiro, imortalizada na interpretação de Dick Farney, dão o tom do que o leitor deve esperar de ambos os livros.
Um desfile de grandes nomes e canções do nosso rico cancioneiro. Nelson Gonçalves, Dolores Duran, Dick Farney, Lúcio Alves, Tito Madi, Adelino Moreira, Linda Batista, Isaura Garcia, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Elizeth Cardoso, Miltinho, Nora Ney, Maysa, Aracy de Almeida, Antônio Maria, Lupicínio Rodrigues e tantos outros.
Parece que foi ontem que li os dois livros e ouvi novamente cada um dos sambas-canção citados por Ruy e Zuza, cada um no seu encantador estilo de escrever, que tanto seduz os leitores. Não se trata de saudosismo, mas de conhecer as músicas que embalaram os casais e o Brasil no período que vai de 1929, ano tido como o da gravação do primeiro samba-canção, até 1958, quando surgiu a bossa nova.