Das vezes em que compareceu ao plenário da Câmara Municipal de Porto Velho para ser sabatinada por vereadores sobre o sistema de transporte coletivo da capital, a Secretária Municipal de Transportes e Trânsito (SEMTRAN), Fernanda Moreira, prometeu melhorias para o setor.
Aos vereadores, a secretária diz uma coisa. Na prática, porém, a realidade é completamente diferente. Enquanto isso, o usuário portovelhense continua pagando uma das tarifas mais caras do país, para andar em ônibus sujos, espremido igual sardinha enlatada. Isso, evidentemente, depois de ser obrigado a esperar uma, duas e até três horas pela passagem de um caro, debaixo de uma temperatura de até quarenta graus.
O pressuposto de um governo que se diz comprometido com o social é o conhecimento da realidade, a sensibilidade política, a cultura acumulada e a lucidez de análise das condições em que vive a população.
Os apelos, as denúncias, queixas e reclamações que o sistema de transporte coletivo vem sofrendo, desde há muito, infelizmente, não estão restritos aos moradores de bairros como JK I, II e III; Tancredo Neves, São Francisco e Mariana, mas pipocam de todos os recantos da cidade. Parece que, para essa regra, não há exceção.
Por isso, os que teimam em defender a manutenção do monopólio estão simplesmente agindo de má-fé contra a população, no desespero da causa própria, relegando o social a um plano secundário. Trata-se de conduta perniciosa, que só contribui para mergulhar o setor no abismo em que se debate.
No mundo competitivo em que vivemos não há lugar para o monopólio. A ação empresarial tem que funcionar como uma forma conformadora, estabilizadora e coincidente da vida social. É preciso banir essa mentalidade egoística, parasitária e arcaica, do lucro a qualquer custo.
A população não mais agüenta ser maltratada, espezinhada e vilipendiada em seus mais comezinhos direitos, muito menos as promessas cínicas e demagógicas da secretária da SEMTRAN. Andar de ônibus, na capital, é uma via-crúcis. Só os míopes de consciência, espírito público e solidariedade humana não enxergam essa assertiva.
O usuário de transporte coletivo precisa ser respeitado. Afinal, é ele quem paga a conta. O desenvolvimento do município de Porto Velho depende da participação efetiva de todos. É muito fácil pegar um microfone e dizer que defende um transporte coletivo de qualidade. Difícil, mesmo, é ter coragem, disposição e compromisso com a sociedade para cobrar de quem de direito a melhoria desse serviço.
A Secretária da SEMTRAN já deixou claro de que lado está. Embora seja devidamente remunerada pelo erário para defender os interesses dos usuários, ela só diz amém para o monopólio, enquanto a população continua andando em cacarecos, caindo os pedaços pelas ruas.
Desculpadas
Em minha colaboração anterior, escrevi que o jornalista Euro Tourinho não havia sido convidado para participar da solenidade comemorativa aos 95 anos do município de Porto Velho, realizada no plenário da Câmara Municipal, por solicitação da vereadora Mariana Carvalho. Errei. Euro foi, sim, convidado. Foi o que me assegurou a popular e competente diretora do cerimonial, Nete. Fica aqui o reparo e as desculpadas do colunista.