"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é". É ruim da cabeça ou doente do pé. Já cantava o mestre Dorival Caymmi. Já outro monstro sagrado da nossa música, o poeta da Vila Noel Rosa escreveu que "batuque é um privilégio. Ninguém aprende samba no colégio". E nos livros?
Aprender a fazer, talvez não, mas aprender e conhecer a história e as histórias de quem fez e se eternizou compondo obras primas do nosso rico cancioneiro popular. Livros sobre o tema existem muitos e alguns são realmente fundamentais para manter viva este gênero musical que, segundo Nelson Sargento - outro ícone, "samba agoniza, mas não morre".
O jornalista, pesquisador, escritor e biógrafo Gonçalo Júnior é o autor da uma das melhores biografias que já li. Trata-se de Quem samba tem alegria, a vida e o tempo de Assis Valente. Compositor baiano que encantou ninguém menos que Carmen Miranda, intérprete de vários de suas músicas, entre elas, Uva de caminhão, E o mundo não se acabou, Camida listrada e mais.
Por falar em mulher no samba, pelo menos duas obras comprovam que o universo dos bambas também comporta mulheres cantoras e compositoras como conta o jornalista Leonardo Bruno no excelente Rainhas do samba, o poder das mulheres que escreveram a história do samba. O livro reúne perfis de Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Alcione, Clara Nune e Elza Soares.
Antes delas de cada uma delas se consagrar como sambista, houve tia Ciata, o início de tudo passa impreterivelmente por ela, cuja história está contada no excelente Tia Ciata e a pequena África no Rio de Janeiro, de Roberto Moura. Uma obra imprescindível para quem quer conhecer mais sobre as origens do samba no Brasil.
Para completar este breve painel sobre a história do samba, cito mais dois livros importantes. A reedição da obra clássica Na roda de samba, de Francisco Magalhães Vagalume, em bela encadernação em capa dura e ainda, mas não menos essencial Para ouvir o samba, um século de sons e ideias, de Luis Filipe de Lima e lançado pela Funarte.