Uma iniciativa desenvolvida no Laboratório de Micobacteriologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) colocou a instituição entre os destaques nacionais em inovação na saúde. Coordenado pela professora Marli Matiko Anraku de Campos, o Teste Molecular Rápido para Tuberculose foi selecionado como finalista na categoria Produtos e Inovação em Saúde do 17º Prêmio Ciência, Tecnologia e Inovação para o SUS.
A proposta surge em um cenário desafiador. A tuberculose segue entre as doenças infecciosas que mais matam no país e o diagnóstico tardio ainda é um dos principais obstáculos no combate. Em média, pacientes levam até 11 semanas entre o aparecimento dos sintomas e o início do tratamento período que favorece complicações e aumenta a transmissão.
O teste desenvolvido na UFSM busca reduzir esse intervalo. A partir de uma amostra de escarro aquecida em termobloco, a reação colorimétrica aponta o resultado em cerca de uma hora: tons rosados indicam ausência do bacilo e coloração amarelada sinaliza contaminação. Segundo Marli, a metodologia é simples, rápida e de baixo custo, com reagentes produzidos no Brasil, o que diminui a dependência de insumos importados e facilita a adoção no SUS.
Além da agilidade, o projeto prioriza acessibilidade. O exame dispensa infraestrutura laboratorial complexa, podendo ser executado por profissionais capacitados em unidades de saúde distantes dos grandes centros. A equipe já trabalha para aprimorar o sistema e ampliar o alcance do produto.
Sem data definida para a cerimônia de premiação, o reconhecimento nacional reforça o potencial do teste para antecipar o diagnóstico e iniciar precocemente o tratamento etapa considerada decisiva para interromper a cadeia de transmissão e salvar vidas.