Durante muito tempo, o trauma foi entendido como uma experiência restrita à vida de quem o sofreu. Hoje, porém, avanços científicos começam a revelar um cenário mais complexo: experiências emocionais intensas podem produzir efeitos que ultrapassam a história individual e alcançam futuras gerações.
Pesquisas na área da epigenética vêm mostrando alterações químicas relacionadas ao funcionamento dos genes sem modificar o DNA em si. Essas mudanças podem influenciar como determinados genes “se ativam” ou “se silenciam”, abrindo novas perguntas sobre a forma como o sofrimento, o estresse crônico e eventos traumáticos podem ecoar ao longo do tempo.
Especialistas ressaltam que esses achados não significam determinismo biológico nem transferência automática de traumas entre familiares. Ao contrário, o novo olhar amplia a compreensão clínica e reforça a importância de considerar o indivíduo em um contexto maior, que envolve corpo, biologia, ambiente e história familiar.
Para o psicólogo, neuroterapeuta e psicanalista Gastão Ribeiro, especialista em trauma e terapias do bem, a leitura contemporânea do tema convida à integração. “Entender o trauma, hoje, é reconhecer as diferentes camadas psicológicas, relacionais e biológicas sem perder de vista a possibilidade de reparação e transformação”, afirma.
Nessa perspectiva, terapias baseadas em evidências, intervenções psicossociais e redes de apoio passam a ter papel central, mostrando que, mesmo quando há marcas, há também caminhos de cuidado e ressignificação.
Com o avanço das pesquisas, o debate deve ganhar novas dimensões, combinando ciência, clínica e políticas de saúde mental. E, para quem deseja aprofundar o tema, iniciativas de formação profissional vêm crescendo no país.
Quem busca aprender a tratar trauma com mais segurança e profundidade pode encontrar opções de capacitação especializada como a proposta da denominada Escola do Trauma, divulgada por Ribeiro, disponível no link indicado na bio do projeto.