O Aeroclube de Rondônia, instituição com mais de 70 anos de tradição na formação de pilotos civis para a aviação brasileira e internacional, foi surpreendido por uma notificação que impede de realizar pousos em sua base operacional. A restrição foi imposta mesmo a entidade possuindo autorização vigente e regular junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
De acordo com a nota oficial divulgada à imprensa pelo vice-presidente do aeroclube, Gilberto Scheffer, a medida gerou profunda preocupação e grande insegurança para toda a comunidade aeronáutica, incluindo alunos, instrutores e colaboradores. A diretoria alerta que a proibição coloca em risco um importante centro de formação profissional que fomenta a geração de empregos e o desenvolvimento regional, atendendo à crescente demanda do setor aéreo nacional.
Diante do prazo de apenas cinco dias para evitar o fechamento definitivo do aeródromo, a cúpula da instituição viajou às pressas para Brasília. O presidente Valdir Vargas e o vice-presidente Gilberto Scheffer articulam no momento uma mobilização junto a parlamentares e autoridades federais. O objetivo principal do grupo é conseguir uma audiência de urgência com o ministro de Portos e Aeroportos, Thome Franca, para buscar uma solução que garanta a continuidade imediata das atividades.
Em seu apelo por diálogo institucional,o Aeroclube de Rondônia reafirmou compromisso com a segurança operacional e a legalidade. No documento, a diretoria clamou pela preservação dos serviços prestados ao país e fez um alerta às autoridades: "Fechar um aeroclube é limitar oportunidades, comprometer a formação de novos profissionais e enfraquecer o futuro da aviação brasileira".
Histórico
Com mais de sete décadas de tradição na formação de pilotos e na promoção do aerodesporto, o Aeroclube de Porto Velho possui uma história que impulsionou o próprio desenvolvimento urbano da capital rondoniense.
O antigo hangar da instituição foi edificado originalmente em 1946, mas, com a sua desativação e a construção de um novo aeroporto na cidade, uma nova pista precisou ser construída na zona sul, nas proximidades de uma área que abrigou imigrantes nipônicos em 1954; esse movimento foi o responsável por dar origem ao bairro que hoje leva o nome de "Aeroclube".
Apesar de sua relevância histórica e de sediar eventos como encontros estaduais de aeromodelismo, a área de 78 hectares passou a ser alvo de disputas recentes. A partir de 2012, a Prefeitura demonstrou interesse em tomar o terreno para construir um espaço multieventos, o que levou a Anac a publicar uma portaria de fechamento em 2013.
Naquela ocasião, as atividades só não foram encerradas porque uma liminar da Justiça Federal garantiu a reabertura da pista, reconhecendo-a como uma rota alternativa essencial para aeronaves de socorro médico.