Em entrevista concedida à
SUMAÚMA nesta quinta-feira (10) a candidata ao Senado Neidinha Suruí (PSB), defendeu a transição do modelo econômico de
Rondônia para a sociobioeconomia e criticou a baixa representatividade da população no Congresso Nacional.
A participação de Neidinha ocorre após o desfecho da disputa interna no Partido Socialista Brasileiro (PSB), em que a cúpula nacional da legenda tentou retirar sua candidatura ao Senado. A decisão da direção partidária foi revertida por unanimidade (7 votos a 0) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), que confirmou o registro da chapa número 400.
Durante a entrevista, ela conta que a campanha segue sem o repasse de verbas do fundo partidário por parte da direção da sigla.
Natural de Plácido de Castro (AC) e residente em
Rondônia desde a infância, Neidinha Suruí tem 67 anos e atua há mais de quatro décadas na defesa dos direitos humanos e socioambientais. Formada em História, mestra e doutora em Geografia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), é cofundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, organização que atua junto a mais de 50 etnias indígenas na Amazônia.
FOTO: A ativista Neidinha em reunião do PSB em julho deste ano / Rondoniaovivo
Ao analisar a atual composição do Poder Legislativo, apontou a assimetria entre a demografia do país e a ocupação das cadeiras parlamentares. "Esse Congresso não representa a população brasileira, representa apenas uma pequena parcela. Das 513 cadeiras, apenas 106 são de mulheres, ou seja, 18%. Na representação indígena, temos apenas três. Em Rondônia, nos últimos oito anos, não tivemos nenhuma mulher no Senado", afirmou Neidinha.
Sobre as propostas para o desenvolvimento regional, ela defendeu a diversificação da matriz econômica estadual com foco na inclusão de pequenos produtores e comunidades tradicionais. "Defendo um modelo econômico diferente do atual, que hoje beneficia apenas o grande agronegócio. Defendo a sociobioeconomia, não só desenvolvimento, mas 'envolvimento' de toda a população. Uma economia criativa que inclua pequenos agricultores, indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhos e a população periférica das cidades", declarou.
Em relação à pauta ambiental e territorial, Neidinha destacou a situação de vulnerabilidade das populações originárias e a necessidade de recomposição orçamentária das fiscalizações. "Em Rondônia, temos oito povos vivendo em isolamento voluntário em situação bem precária, com suas terras invadidas constantemente. O marco temporal não atinge só indígena, atinge quilombolas, extrativistas e ribeirinhos. Temos uma Funai, ICMBio e Ibama muito fragilizados", pontuou.
Ela concluiu apresentando como metas prioritárias de mandato a garantia de linhas de crédito para a produção sustentável, o combate à violência contra a mulher e a destinação de emendas para universidades públicas voltadas à pesquisa da fauna e flora amazônicas.
* Com base na entrevista para SUMAÚMA