Pesquisa encomendada pela Habitat para a Humanidade mostra que 74% dos entrevistados reduziram ao menos uma despesa no último ano para conseguir pagar a moradia, enquanto 56% afirmaram que um imprevisto financeiro poderia ameaçar sua permanência no imóvel.
Realizado pela Edelman Intelligence entre abril e junho de 2026, o levantamento ouviu 1.400 brasileiros dentro do estudo global Home at What Cost?, que reuniu 30.758 pessoas em 22 países. No Brasil, 82% disseram que o aumento dos custos habitacionais dificulta a compra da casa própria.
A pressão acompanha o crescimento do aluguel.
Segundo o IBGE, o número de domicílios alugados passou de 12,2 milhões, em 2016, para 18,9 milhões, em 2025, alta de 54,1%.
O avanço ocorre em meio à valorização dos imóveis e ao encarecimento do crédito imobiliário.
Além de comprometer o orçamento, o custo da moradia reduz a capacidade das famílias de fazer reformas.
Em 2025, 48,9% dos domicílios tinham telha sem laje de concreto como principal cobertura, segundo a Pnad Contínua.
Para a Habitat, famílias que comprometem mais de 30% da renda com aluguel ficam mais vulneráveis.
A entidade estima que mais de 20 milhões de domicílios enfrentem problemas de inadequação habitacional ou falta de infraestrutura.
O cenário também aumenta a vulnerabilidade diante de ondas de calor, chuvas intensas e outros eventos extremos, tornando investimentos em melhoria das moradias uma questão de segurança e qualidade de vida.