Muitas pessoas associam crateras de meteorito exclusivamente ao Arizona ou ao evento de Chicxulub no México, mas o Brasil abriga uma das maiores estruturas de impacto de todo o hemisfério sul.
Na divisa entre Goiás e Mato Grosso, cortada pelas águas do Rio Araguaia, fica o Domo de Araguainha: uma cicatriz colossal com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.
Ela foi esculpida pela colisão de um corpo celeste de aproximadamente 4 km de largura viajando a velocidades hipersônicas há cerca de 254,7 milhões de anos.
A violência do impacto foi tamanha que rochas do embasamento profundo foram erguidas milhares de metros no centro da cratera, formando feições microscópicas e macroscópicas únicas chamadas shatter cones (cones de estilhaçamento), que só se formam sob pressões instantâneas superiores a 2 gigapascais.
Pesquisadores apontam que a vaporização de espessas camadas de folhelhos betuminosos na região liberou trilhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera global, contribuindo para o aquecimento catastrófico associado à grande extinção do Permiano-Triássico, o momento em que a vida na Terra esteve mais perto de ser completamente apagada.
Você sabia que existia uma cratera dessa magnitude em território brasileiro?