Essa é uma crítica para contra indicar filmes que ficam disponíveis nos catálogos de serviços de streaming como Netflix, Prime, HBO Max ou Disney+, como atrativos pelo gênero, geralmente de terror ou policial, e por curiosidade somos atraídos a assistir. Mas depois bate um arrependimento, pois são produções de descarte para preenchimento na plataforma.
Seguem dois filmes que assisti mais recentemente e depois fiquei pensando que poderia estar muito carente ou com problemas de sono para dar o play.
PASSANDO RAIVA - Com vinte minutos eu já sabia que ia me arrepender. E me arrependi. Um tal Dominic Perez produziu, escreveu e dirigiu, deve ter editado também o filme “Fatos Estranhos” (2011). O cara fez tudo e foi um filme relativamente barato, que está disponível no catálogo da Prime.
No gênero de suspense filmado em primeira pessoa – found footage, ou seja câmera filmando supostas cenas reais de forma amadora e que já rendeu filmaços, como o espanhol de terror “Rec” e o clássico “A bruxa de Blair”, além de “Atividade Paranormal”.
Esse aqui é um grupo de cinco jovens – dois homens e três mulheres – que tem a estúpida ideia de passar o aniversário de uma das gurias numa casa grande e isolada no meio da floresta num frio de 15 graus abaixo de zero, em meio a muita, muita neve.
Que criativo (só que não)!
Um dos rapazes não larga a câmera e filma todos os movimentos que acontecem na casa. Incomoda o fato que até nos momentos tensos e de descontrole emocional – quando em determinado momento eles se perdem na floresta e não acontece absolutamente nada, ele não larga a câmera e deixa de filmar.
O mote do enredo é que alguém numa van misteriosa quase causou um acidente com o carro do grupo no início do filme, quando eles ainda se dirigiam a casa isolada. Esse motorista misterioso em determinado momento, próximo ao final, vai isolar ainda mais o grupo dentro da casa quando de forma inexplicável ele consegue causar um blackout e perseguir todos num clima de terror de halloween nos diversos cômodos, mas mal feito.
Tenta criar um clima de tensão e claustrofobia no ambiente, mas os personagens são ruins, tudo é previsível e cansativo.
Tive que ver até o final com a esperança de ter uma reviravolta ou a revelação “chocante” de quem seria o misterioso motorista da van.
Nada disso. Da forma como começou, termina. Ah, tem um texto no início do filme dizendo que as imagens mostradas no filme são provas do desaparecimento de cinco jovens e que pertencem ao arquivo do FBI.
O que não quer dizer nada. Até mesmo porque o filme continua depois do ataque a última vítima, uma das garotas, para tentar mostrar (ou dar sentido) a motivação do doido da van e não tem significado algum.
O sentimento ao acabar o filme é de derrota. Perdi meu tempo com essa bomba.
Evitem.
O FILME DO TROLL ME TROLOU - Esse filme norueguês de monstro da Netflix é uma baita surpresa.
“O Troll da Montanha” (2022), filme dirigido por Roar Uthaug, mesmo diretor do péssimo “Tomb Raider: a origem” (2018). me remeteu de imediato ao ótimo e brilhante filme de suspense “O Caçador de Trolls” (2010), outra produção norueguesa, só que escrita e dirigida pelo talentoso André Øvredal.
Expectativa alta e... constatamos que “O Troll da Montanha” é mais um filme de monstro na linhagem de Godzilla, King Kong e dinossauro ou dragão, com destruição em massa. Invasão na cidade grande, pânico e caos. Só que utilizando todos os clichês do gênero disaster movie, e que desperdiça boas ideias e sem aprofundar as explicações, que se remetem somente a pistas – como esclarecer, por exemplo, a origem da criatura.
Quando um misterioso incidente ocorre numa imensa caverna onde o governo realiza obras, dezenas de trabalhadores são mortos por uma criatura que foi despertada e deixa um rastro de destruição pelo interior da Noruega. Com a ajuda das forças armadas, o governo chama também uma paleontóloga prestigiada, Nora (Ine Marie Wilmann), que vai fazer consultoria para identificar que tipo de criatura é essa.
Após anos de separação ela resolve recorrer ao seu pai, Tobias (Gard B. Eidsvold), ex-professor de folclore que acredita na existência de trolls da montanha. Mesmo incrédula com as afirmações do pai, ela se junta a ele, com o apoio do exército e restrições de burocratas do Governo para lidar com o problema.
Depois descobre que o Troll está indo em direção a capital, Oslo, onde ele vai realizar uma espécie de vingança contra a erradicação da sua raça pela cristandade - em alguns momentos o roteiro tenta explicar a existência dessas criaturas e o conflito com a igreja e o reinado.
Mesmo com o exército usando armamentos pesados o Troll segue avançando sem recuar.
Então o exército com apoio do Governo pretende utilizar uma arma secreta que pode destruir tudo, numa devastação sem precedente para deter a criatura. Cabe a Nora lutar contra o tempo e mostrar que existe uma forma mais inteligente e seguindo a linha da fantasia para evitar a destruição.
O filme tem seus momentos divertidos se não exigir surpresas ou algo coerente. É uma aventura com suspense, mas não escapa dos clichês e se torna muito previsível, o que inclui personagens óbvios e já vistos em outros filmes do gênero; a protagonista perseguida, o burocrata vilanesco, sempre tem um hacker, o militar legal, etc.
Tem um envolvimento com a família real e a tradição dos Trolls que não é explicado direito, muito superficialmente.
E tem uma cena pós crédito, que abriu portas para uma continuação tão ruim, que passou despercebida depois de lançada em 2025. Vamos evitar.