A corrida pelo Governo de Rondônia ganhou um novo capítulo com potencial de repercutir diretamente na campanha de 2026. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) determinou que o ex-prefeito de Cacoal e pré-candidato ao Governo, Adailton Fúria (PSD), apresente defesa sobre uma série de irregularidades identificadas na prestação de contas referente ao exercício de 2025. A decisão abre prazo de 30 dias para que o ex-gestor apresente justificativas antes que o processo avance para nova manifestação técnica e, posteriormente, para análise do Ministério Público de Contas.
Embora ainda não represente um julgamento definitivo, o documento deixa claro que a equipe técnica encontrou elementos suficientes para instaurar o contraditório. Entre os apontamentos está aquele considerado o mais grave pela auditoria: insuficiência financeira de R$ 743.315,53 para cobertura das obrigações do município, situação que, segundo o relatório, afronta dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Os auditores também identificaram uma superavaliação de R$ 1.342.602,68 nas disponibilidades de caixa, decorrente da contabilização de valores que não poderiam ser considerados como recursos efetivamente disponíveis.
As irregularidades não se restringem ao caixa da Prefeitura. O Tribunal também apontou que o município deixou de encaminhar informações obrigatórias ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), comprometendo a transparência das contas públicas, além de registrar o descumprimento das metas de resultado nominal e resultado primário previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Para a área técnica, esse conjunto de inconsistências pode resultar, ao final do processo, em parecer desfavorável às contas, caso as justificativas não afastem os apontamentos.
A decisão do TCE chega meses depois de outro episódio que marcou a transição de governo em Cacoal. Ao assumir a Prefeitura, Tony Pablo (PL) afirmou ter encontrado um "rombo" de cerca de R$ 8 milhões nas finanças municipais, além de um déficit de R$ 2,9 milhões na Saúde, atribuindo o cenário à gestão anterior de Fúria. Na ocasião, as declarações provocaram forte repercussão política e abriram uma disputa de versões entre a administração que saía e a que assumia.
Agora, o debate deixa o campo exclusivamente político e passa a integrar um processo formal de controle externo. Embora o Tribunal não tenha julgado as contas nem concluído pela responsabilidade do ex-prefeito, a abertura da fase de defesa transforma o tema em um fato político inevitável. Em uma eleição na qual a capacidade administrativa tende a ser um dos principais argumentos dos candidatos, Fúria entra na disputa tendo de responder não apenas às críticas do sucessor, mas também aos questionamentos formulados pelo órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos.
O processo segue em tramitação no Tribunal de Contas. Após a apresentação ou não das justificativas, a equipe técnica reavaliará os apontamentos antes da emissão do parecer final sobre as contas da gestão de 2025.