Um menino de nove anos sofreu um acidente na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, meses antes da morte da jovem de 21 anos, Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. O acidente da criança foi com a mesma equipe envolvida no caso mais recente.
As informações são do Fantástico. De acordo com a reportagem, o incidente foi registrado em março, também durante um salto de rope jump, e deveria ter servido de alerta para a equipe que causou a morte de Maria Eduarda.
Ainda de acordo com a reportagem, o acidente com a criança foi causado por conta de uma falha no sistema de debreagem, uma espécie de freio da corda.
O menino é filho de um ex-colaborador da empresa Entre Cordas. Ele não é investigado no caso da morte de Maria Eduarda.
Um outro rapaz, Gustavo Lozzi, que também trabalhava com o grupo, estava no momento do acidente com o menino. Ele fez um salto logo atrás do menino e o viu no chão.
O garoto foi correndo, eu já fui correndo atrás, ele pulou e eu pulei dando um mortal logo atrás. E aí, eu não ouvi o garotinho, tipo, gritar o 'uhu', que ele sempre gritava, a gente está feliz e tal, e eu comecei a ouvir algumas pessoas gritando o nome dele. E aí, quando eu olhei para o lado e ele estava no chão."
O pai do menino prestou depoimento à polícia. No documento, divulgado pela reportagem, ele afirma que o filho explicou que "o tio jogou ele rápido demais". O menino não teve ferimentos graves e ficou apenas com ralados no joelho.
Mesmo com o acidente, o grupo continuou com as atividades de rope jump no mesmo local. De acordo com a delegada do caso, Andréa Levy, apesar do incidente, a equipe não fez melhorias para evitar novas ocorrências e continuou a assumir o risco.
Após ocorrer um fato desse, não foram tomadas outras medidas para melhorar, então ela continua, na minha percepção, assumindo o risco de produzir o resultado."
No dia 13 de junho, outro acidente teve resultado fatal. A jovem Maria Eduarda de Freitas, de 21 anos, foi jogada da ponte sem a corda e caiu direto no chão.
Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Nesta última semana, a Polícia Civil concluiu o inquérito do caso e manteve quatro pessoas presas. Entre elas, estão os três instrutores que lançaram Maria Eduarda e a organizadora dos saltos, Evelyne dos Santos. Os três instrutores são:
Eles foram indiciados por homicídio com dolo eventual, quando o autor não tem a intenção direta de matar, mas assume o risco.
Outros dois envolvidos tiveram a prisão revogada. A polícia ainda busca localizar a câmera utilizada pela vítima no momento do salto.
Ainda de acordo com a reportagem do Fantástico, o advogado de Evelyne dos Santos declarou que discorda do indiciamento e que as teses da defesa serão apresentadas em um momento oportuno do processo.
A defesa de Vitor Freitas contesta a tipificação do crime como dolo eventual. Os advogados de Maicon Cintra e Luis Felipe Egoroff também sustentam que o ocorrido se trata de um crime culposo, quando não há a intenção ou a assunção do risco de matar, conforme informou o Fantástico.
Rope Jump: menino de 9 anos caiu com mesma equipe que matou jovem
O caso
O acidente aconteceu no último dia 13 de junho, na região conhecida como Ponte do Esqueleto, na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu instantes após ser lançada a 40 metros de altura enquanto praticava rope jump, uma modalidade mais radical de salto em queda livre.
De acordo com informações preliminares da Polícia Militar (PM), houve falha no equipamento por parte das empresas responsáveis, que esqueceram de colocar uma corda de segurança antes da jovem saltar.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o momento em que Maria Eduarda é posicionada para o salto. Segundos depois, testemunhas percebem que a corda de segurança não estava devidamente conectada e passam a gritar em desespero.
Segundo as investigações, o acidente aconteceu por erro operacional grave dos responsáveis técnicos. Ao todo, seis pessoas que fazem parte da empresa responsável pelo salto foram presas, incluindo os três homens que aparecem carregando Maria Eduarda.
Dois envolvidos tiveram a prisão revogada e outros quatro permanecem presos.