A sessão ordinária da última segunda-feira (04), na Câmara Municipal de Vilhena, foi marcada por um pronunciamento firme do presidente da Casa, Celso Machado, que expôs problemas na saúde pública municipal e fez duras cobranças ao Executivo.
Em uma fala de mais de 20 minutos, Celso Machado adotou um tom direto ao relatar dificuldades enfrentadas na gestão da saúde, especialmente no contrato com a Santa Casa de Chavantes.
Do avanço inicial à crise
O presidente relembrou que participou da construção do atual modelo de gestão da saúde em Vilhena, destacando que, nos primeiros anos, houve avanços importantes, como a redução de filas para cirurgias e exames.
Entretanto, segundo ele, o cenário mudou com o passar do tempo, dando lugar a atrasos, acúmulo de demandas e aumento das reclamações da população e dos profissionais da área.
Dívida milionária e falta de transparência
Celso Machado afirmou que, após diversas negativas, foi reconhecida a existência de uma dívida significativa na saúde, estimada em cerca de R$ 17 milhões. Ele criticou a falta de clareza sobre os números e a ausência de diálogo prévio com o Legislativo.
Apesar de reconhecer que a entidade responsável tem valores a receber, o presidente apontou que houve omissão por não trazer a situação à Câmara anteriormente.
Críticas ao Executivo e exclusão da Câmara
O discurso também foi marcado por críticas à condução do Executivo municipal. O presidente relatou que vereadores foram deixados de fora de reuniões importantes e que documentos solicitados oficialmente não foram entregues.
Para ele, a situação demonstra falta de respeito com o papel fiscalizador da Câmara.
“Não é um pedido individual, é o plenário. E não fomos atendidos”, destacou.
Câmara endurece postura
Diante do cenário, Celso Machado afirmou que o Legislativo passou a adotar uma postura mais rigorosa. Entre as medidas, está a exigência de prestação de contas antes da aprovação de novos recursos, especialmente na saúde.
Ele defendeu que esse modelo de controle seja ampliado para todas as áreas da administração pública.
Denúncias de pressão e ataques pessoais
O presidente também relatou ter sido alvo de ataques e tentativas de descredibilização, incluindo acusações de corrupção, que classificou como injustas.
Além disso, citou possíveis casos de retaliação a profissionais da saúde que se posicionaram sobre atrasos salariais e condições de trabalho.
Alerta sobre o futuro da saúde
Ao encerrar, Celso Machado fez um alerta sobre o futuro da saúde municipal, mencionando incertezas quanto à continuidade do modelo atual e riscos de agravamento da crise.
Ele reforçou que a Câmara seguirá atuando com firmeza:
“Não somos covardes e não vamos nos calar. Estamos aqui para fiscalizar e defender a população.”
O discurso reforça o momento de tensão entre Legislativo e Executivo em Vilhena e indica que o tema da saúde continuará no centro das discussões políticas nas próximas semanas.