A queda dos níveis também está associada à distribuição irregular das chuvas
Foto: RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL
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A rápida descida dos níveis dos rios Negro e Solimões, que se encontram em Manaus para formar o rio Amazonas, agrava os impactos da estiagem e aumenta a pressão sobre os afluentes de toda a bacia amazônica. A redução do volume de água compromete a navegação, dificulta o abastecimento de comunidades ribeirinhas e ameaça o transporte de alimentos, água potável e medicamentos.
Esse fenômeno acelera a descido de níveis dos afluentes, inclusive do rio Madeira que já tem pontos de formação de bancos de areia e pedrais, colocando em risco a navegação.
A severa estiagem no Amazonas, intensificada por fatores climáticos e temperaturas acima da média, tem levado os rios a níveis críticos. Com menos água nos principais cursos fluviais, trechos de navegação ficam mais rasos, embarcações enfrentam restrições e comunidades isoladas passam a depender de operações logísticas mais difíceis e caras.
O fenômeno preocupa porque os rios da Amazônia estão interligados. A redução das chuvas e a diminuição da contribuição de água dos afluentes podem intensificar a vazante em diferentes trechos da bacia, embora a resposta de cada rio dependa das chuvas locais, das características da região e do tempo de deslocamento da água.
Estiagem prolongada pode piorar a situação
A queda dos níveis também está associada à distribuição irregular das chuvas. Monitoramento climático do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) identificou, em setembro, déficits de precipitação em diversas sub-bacias, incluindo as dos rios Negro, Purus, Juruá, Tapajós e Xingu.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) informou, em 14 de outubro, que o rio Negro continuava em vazante em Manaus, com cota de 17,54 metros, enquanto o Solimões também apresentava descida em pontos como Coari e Manacapuru. O órgão ressaltou, porém, que os níveis das grandes calhas permaneciam dentro da normalidade para a época, apesar da tendência de queda.
O cenário exige atenção porque a estiagem prolongada pode ampliar o isolamento de comunidades, elevar os custos do transporte fluvial e dificultar o acesso a serviços essenciais. A evolução da seca dependerá da retomada das chuvas e da recuperação gradual dos níveis dos rios em toda a bacia amazônica.
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