Um homem de 60 anos, que ficou paraplégico após cair de um cavalo, é o primeiro paciente em Rondônia a receber a aplicação compassiva da polilaminina, em Ji-Paraná. Ele é um de dois pacientes no estado atendidos por uma equipe de pesquisadores que desembarcou em Porto Velho nesta segunda-feira (14). A primeira aplicação foi programada para o período da manhã.
O segundo paciente está internado no Hospital Regional de Cacoal e deve receber o atendimento no período da tarde. Ambos os pacientes possuem diagnóstico de lesão medular completa e obtiveram autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o uso compassivo do medicamento.
Esta é a primeira vez que a polilaminina é administrada em pacientes em Rondônia. O uso compassivo consiste na liberação do tratamento para pessoas em condições de saúde graves e sem alternativas terapêuticas disponíveis, conforme os critérios regulatórios vigentes.
Histórico e desenvolvimento da substância
A polilaminina é uma substância desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da bióloga Tatiana Sampaio, a partir de proteínas extraídas da placenta humana. A pesquisa investigou durante mais de duas décadas a capacidade da molécula de reativar circuitos neurais e estimular a regeneração do tecido nervoso da medula espinhal após traumas graves.
No Brasil, mais de 100 pacientes já receberam a substância por meio da autorização de uso compassivo concedida pela Anvisa. Como noticiou a Folha, um estudo piloto prévio acompanhou oito pacientes que receberam a medicação na fase inicial após o trauma, dos quais seis apresentaram ganho de funções motoras.
A substância também passa por testes clínicos regulatórios supervisionados pela Anvisa para avaliar a segurança em humanos. No atendimento compassivo prestado no estado, a aplicação busca oferecer a possibilidade de recuperação de movimentos, sensibilidade e funções fisiológicas em pacientes com lesões completas.