O país possui cerca de 250 mil toneladas de urânio contido em recursos identificados
Foto: Reprodução/Mineração Taboca
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O Brasil ampliou os estudos sobre suas reservas de urânio e o papel do mineral na energia, tecnologia e defesa.
Em 2 de julho, o Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM) criou um grupo de trabalho, com prazo inicial de 90 dias, para avaliar recursos, produção e estratégias de aproveitamento.
O país possui cerca de 250 mil toneladas de urânio contido em recursos identificados e ainda tem grande parte do território sem prospecção detalhada.
O desafio, porém, não é apenas ter reservas, mas dominar toda a cadeia do combustível nuclear.
O Brasil já realiza mineração em Caetité (BA), enriquecimento por ultracentrifugação e fabricação de combustível em Resende (RJ).
A conversão para hexafluoreto de urânio (UF₆), porém, ainda não é feita no país em escala industrial.
A estratégia nuclear também envolve energia, saúde, ciência, indústria e defesa.
Além das usinas de Angra, o país desenvolve o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), voltado à produção de radioisótopos para aplicações médicas e industriais.
Na defesa, o Programa Nuclear da Marinha desenvolveu tecnologia de enriquecimento de urânio e está associado ao projeto do submarino brasileiro de propulsão nuclear.
O uso previsto é para propulsão, em conformidade com o compromisso constitucional brasileiro com aplicações pacíficas da energia nuclear.
O interesse pelo urânio também cresce diante da expansão da demanda mundial por eletricidade, impulsionada por data centers, inteligência artificial e eletrificação da indústria.
A questão central é transformar reserva mineral em capacidade tecnológica e industrial.
Para isso, o país precisa ampliar investimentos, infraestrutura, formação de especialistas e domínio das etapas ainda dependentes do exterior.
Assim, o urânio pode deixar de ser apenas um recurso mineral e assumir papel estratégico na segurança energética, autonomia tecnológica, indústria e defesa nacional.
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