O crescimento da violência ocorreu em todas as faixas etárias
Foto: Magnific
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A violência contra crianças e adolescentes ganhou novas dimensões no Brasil em 2025, mas os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram um padrão preocupante: o ambiente familiar e o círculo de convivência continuam entre os principais contextos das violações.
Entre os registros de maus-tratos, foram contabilizadas 38.986 ocorrências em 2025, alta de 14,6% em relação ao ano anterior.
Crianças de até 9 anos representaram 59,1% das vítimas.
O crescimento ocorreu em todas as faixas etárias: 16,3% entre 0 e 4 anos; 14,9% entre 5 e 9; 10,9% entre 10 e 13; e 17,2% entre 14 e 17 anos.
A violência física também aparece nos registros.
Foram 21.811 vítimas de lesão corporal em contexto de violência doméstica, aumento de 5,5%.
Já os casos de abandono de incapaz chegaram a 14.815, crescimento de 18,5%.
Violência sexual atinge principalmente crianças
O estupro e o estupro de vulnerável apresentam um dos cenários mais graves.
Três em cada quatro vítimas registradas eram crianças ou adolescentes.
Do total, 27,1% tinham entre 0 e 9 anos, enquanto 60,3% tinham até 13 anos.
Entre as vítimas de 0 a 13 anos, 59,2% dos agressores eram familiares e 36,9% eram conhecidos.
Os números reforçam que a violência sexual frequentemente ocorre dentro do círculo de confiança da criança.
Crimes também avançam no ambiente digital
A violência contra crianças e adolescentes também acompanha a expansão do ambiente digital.
Em 2025, foram registrados 4.063 casos relacionados à produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil, alta de 25,3%.
Segundo os dados apresentados no anuário, 86,5% dos autores registrados eram homens, enquanto 34,2% eram adolescentes.
Também houve crescimento nos registros de violência entre pares: foram 4.549 casos de bullying, aumento de 68,2%, e 677 registros de cyberbullying, alta de 61,4%.
Os números mostram que a proteção da infância exige atuação além da segurança pública.
Família, escolas, serviços de assistência, sistema de Justiça, plataformas digitais e órgãos de proteção precisam atuar de forma integrada para prevenir a violência, identificar sinais de abuso e interromper ciclos de violência.
Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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