A juíza de direito do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), Larissa Pinho Camargo, publicou um artigo no Correio Braziliense defendendo que o futuro do Poder Judiciário passa, necessariamente, pela inclusão de pessoas neurodivergentes no sistema de Justiça. Com o título "Justiça do futuro inclui neurodivergentes", o texto propõe uma reflexão sobre a necessidade de ampliar o conceito de acessibilidade dentro dos tribunais brasileiros.
No artigo, Larissa destaca que, embora o Judiciário tenha avançado em acessibilidade física e tecnológica, ainda existe uma barreira pouco debatida: a acessibilidade cognitiva. Segundo ela, pessoas autistas e outros neurodivergentes frequentemente enfrentam dificuldades para compreender a dinâmica de audiências, lidar com ambientes sensorialmente intensos ou interpretar a linguagem excessivamente técnica utilizada nos processos judiciais.
A magistrada é autora do Protocolo Brasileiro de Neuroinclusão no Poder Judiciário, apresentado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A proposta prevê medidas como simplificação da linguagem processual, roteiros visuais de audiência, previsibilidade procedimental, adequação sensorial dos ambientes e capacitação institucional voltada à neurodiversidade.
A juíza também ressalta que o Brasil pode se tornar referência internacional em acessibilidade cognitiva aplicada diretamente ao fluxo processual judicial, já que, segundo ela, não há notícia de protocolos semelhantes implementados em tribunais europeus ou norte-americanos.
Além da atuação no Judiciário, Larissa Pinho Camargo possui uma trajetória acadêmica consolidada. Ela é doutora em Ciência Política, mestre em Educação, professora de Direito Digital e integrante do grupo de trabalho do CNJ responsável pela atualização do Manual Nacional do Judiciário sobre inclusão e autismo. A experiência pessoal também atravessa sua atuação institucional. Larissa é mãe de um adolescente de 14 anos diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).