O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promoveu, na última quinta-feira (26), em Cerejeiras (RO), uma consulta pública para a criação do Parque Nacional de Tanaru. O projeto, coordenado pela Casa Civil e integrado por diversos ministérios e órgãos como a Funai e o Iphan, visa proteger permanentemente uma área de 8 mil hectares de alta relevância ambiental. A proposta agora segue em fase de contribuições externas, que podem ser enviadas até o dia 6 de março, antes da análise final pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Presidência da República.
A unidade de conservação será estabelecida sobre o território da antiga Terra Indígena Tanaru, localizada entre os municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste. A área é historicamente marcada pelo genocídio do povo Tanaru, que culminou na morte do último sobrevivente, o "Índio do Buraco", em agosto de 2022. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a necessidade de uma destinação definitiva para o local que aliasse a preservação dos ecossistemas à reparação histórica e ao direito à memória daquele povo extinto.
Durante a audiência no Fórum de Cerejeiras, o movimento indígena, representado pela Opiroma e pela Coiab, apresentou recomendações para que a gestão do parque conte com a participação direta de lideranças tradicionais. Entre as sugestões estão a criação de um centro de memória dedicado aos povos que habitaram a região, o controle rigoroso de pesquisas e visitações, e a alteração do nome oficial para Parque Nacional dos Povos Indígenas de Tanaru, proposta que ainda está sob análise das instâncias federais.
O histórico da região revela um processo de ocupação violenta iniciado na década de 1970, impulsionado pela expansão da fronteira agropecuária que dizimou grupos étnicos nos rios Corumbiara, Mequéns e Tanaru. A criação do parque representa a transição de um regime de "Restrição de Uso", mantido pela Funai por décadas para proteger o isolamento do último sobrevivente, para uma estrutura de proteção integral. O objetivo é transformar um território de conflitos em um símbolo de conservação da biodiversidade e salvaguarda do patrimônio cultural e arqueológico do sul de Rondônia.