SEMANA SANGRENTA: Carretas na BR-364 matam oito pessoas em série de acidentes fatais

Fiscalização precária, excesso de peso e desrespeito ao descanso dos motoristas elevam letalidade na rodovia; Detran/RO já contabiliza mais de 1,2 mil acidentes no trecho

SEMANA SANGRENTA: Carretas na BR-364 matam oito pessoas em série de acidentes fatais

Foto: Rondoniaovivo

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
11 pessoas reagiram a isso.
Como registrou Rondoniaovivo na última semana, oito pessoas morreram na BR-364 em diferentes acidentes envolvendo carretas, em Rondônia. Uma nona vítima foi hospitalizada em estado grave e outros envolvidos ficaram feridos. Dados preliminares do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RO) referentes ao acumulado até setembro de 2025 mostram que 1.292 acidentes foram registrados na rodovia. 
 
Fontes ouvidas pelo jornal nesta segunda-feira (2) contam que uma fiscalização precária dos caminhões enfraquece o trânsito seguro na rodovia. Excesso de carga e trânsito noturno são alguns dos motivos da alta letalidade da rodovia. Rondônia é um grande produtor agropecuário, e a produção é escoada principalmente por rodovias federais em veículos rodotrem e bitrem, popularmente denominados de carretas. 
 
Muitas carretas transitam com excesso de peso e alguns motoristas extrapolam horários de descanso para aumentar a produtividade. 
 
Um servidor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), ouvido pela reportagem em condição de anonimato, conta que a falta de postos de pesagem e de balanças oficiais influencia na letalidade da BR-364. “A balança do Dnit não pesa 100% dos veículos. Várias carretas rodam com, no mínimo, 30% de excesso de peso. Algumas carretas rodam com 80, 90% de sobrepeso. O correto é no máximo até 60 toneladas, mas já pesamos carretas com até 110 toneladas”, explica. 
 
A fiscalização por meio de balanças é feita pelo Dnit e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (Antt). Rondônia tinha apenas um Posto de Pesagem de Veículos (PPV) do Dnit, localizado em Ouro Preto do Oeste, município a pouco mais de 330 km de Porto Velho. Ele foi desativado em 2014 e atualmente o departamento realiza a pesagem com balanças móveis em Ji-Paraná e Pimenta Bueno. “O sobrepeso dos caminhões influencia, inclusive, na rápida deterioração do asfalto da rodovia”, finalizou. 
 
O Rondoniaovivo procurou o Dnit para obter mais informações sobre o processo de pesagem de carretas e caminhões. O jornal aguarda a resposta do departamento e este conteúdo será atualizado assim que possível. 
 
 
Horários e perigos
 
 
A Polícia Rodoviária Federal de Rondônia (PRF/RO) é a responsável pela fiscalização do trânsito das carretas de forma segura, o que inclui tempo de rodagem. De modo geral, é permitido o trânsito de veículos longos do amanhecer ao pôr do sol, conforme resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Rodotrens (carretas maiores) podem transitar em qualquer horário em rodovias de pista dupla, mas apenas durante o dia em pistas simples. 
 
Os caminhões que se adequarem aos requisitos da lei podem transitar durante a noite normalmente, mas motoristas precisam respeitar limites físicos e horários de descanso. 
 
A legislação exige 11h de descanso ininterruptas a cada 24h de rodagem, ou de 30 min entre 6h de condução de veículo de cargas. O descanso pode ser fracionado em intervalos mínimos de 5 min. O motorista que não respeita o tempo de descanso obrigatório comete infração de trânsito de natureza média, com quatro pontos na habilitação.
 
Um estudo da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) informa que nove entre dez acidentes de trânsito são ocasionados por falha humana. Reação tardia, falta de atenção e de reação e sono são alguns dos fatores mais perigosos no trânsito. Apesar disso, transportadoras estipulam metas restritivas aos motoristas, o que pode resultar em jornadas irregulares e sem descanso. 
 
A reportagem contabilizou sete postos da PRF entre Porto Velho e Vilhena, município limítrofe do estado. A polícia realiza, periodicamente, fiscalização do tempo de condução e do cumprimento do descanso por meio do disco ou fita diagrama do cronotacógrafo (equipamento obrigatório em ônibus e caminhões, que registra velocidade, distância percorrida e tempo de direção), ou pela verificação do diário de bordo, papeleta, ficha de trabalho externo ou ficha de trabalho do autônomo.
 
O jornal procurou a PRF para mais informações sobre a fiscalização do trânsito e aguarda o retorno do órgão para atualizar este material. 
 
 
Manifestações 
 
 
Conforme noticiado, produtores rurais de Cujubim interditaram a BR-364 na altura do quilômetro 563, a cerca de 200 km de distância da capital rondoniense. Eles protestam pela revogação de um plano de desocupação da área da Estação Ecológica Soldado da Borracha, além da desativação de pedágios implantados pela Nova 364, empresa que assumiu a concessão da rodovia no ano passado. 
 
A concessionária entrou com um processo na Justiça, pedindo a liberação do trecho. Uma decisão proferida pela 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de Rondônia determina a proibição de qualquer bloqueio ou obstrução da rodovia, com fixação de multa de R$ 100 mil por hora em caso de descumprimento, mas os manifestantes continuaram a bloquear o trecho por não terem sido oficialmente intimados. 
 
A reportagem apurou que, futuramente, os pedágios da Nova 364 também vão contar com postos de pesagem de veículos - e vão facilitar a fiscalização da PRF sobre o tempo de rodagem e descanso.
Direito ao esquecimento
O FACEBOOK anunciou que dois plugins sociais — o botão "Curtir" e o botão "Comentar" — foram descontinuados desde 10 de fevereiro de 2026.
Você acha que o Brasil vai ser hexa nesta Copa do Mundo?

* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS