CIÊNCIA E SAÚDE: Vivências em comunidades fortalecem formação médica com a realidade amazônica  

Participação em ações como projeto Barco Ciência e Saúde aproxima estudantes da realidade amazônica e amplia experiências práticas durante a graduação

CIÊNCIA E SAÚDE: Vivências em comunidades fortalecem formação médica com a realidade amazônica  

Foto: Reprodução

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Para quem escolhe a Medicina, a formação vai muito além das salas de aula e dos laboratórios. O contato direto com diferentes realidades sociais, culturais e epidemiológicas é uma etapa essencial para a construção de profissionais preparados para os desafios da assistência em saúde. Em Rondônia, uma dessas experiências ocorreu durante a expedição do projeto Barco Ciência e Saúde, que levou atendimentos e ações de cidadania a comunidades ribeirinhas do Rio Madeira.
 
 
Realizada nas localidades de Calama, Nazaré e São Carlos, a iniciativa reuniu estudantes, professores e profissionais de diversas áreas em uma grande mobilização voltada à promoção da saúde, educação e assistência social. Durante a expedição, foram realizados mais de dois mil atendimentos e ações, contemplando especialidades como Medicina, Enfermagem, Odontologia, Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Oftalmologia, Fonoaudiologia, Biomedicina e outras áreas do conhecimento.
 
 
Para a acadêmica de Medicina da Afya São Lucas, Daiane Felizardo, do 7º período, a experiência representou um aprendizado que dificilmente seria alcançado apenas no ambiente acadêmico. "Os projetos de extensão são fundamentais para a formação porque permitem desenvolver habilidades que vão além da sala de aula, como comunicação, trabalho em equipe, empatia e responsabilidade social. Além disso, proporcionam contato direto com diferentes realidades da população, contribuindo para uma formação mais humanizada e alinhada às necessidades da comunidade", afirma.
 
 
Segundo a estudante, a convivência com as comunidades ribeirinhas ampliou sua percepção sobre os desafios enfrentados por moradores de regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. "A interação com a comunidade ampliou minha compreensão sobre diferentes realidades e necessidades. Essa experiência fortaleceu minha capacidade de escuta e acolhimento, além de permitir a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos durante a graduação", destaca.
 
 
A acadêmica relata que um dos aspectos mais marcantes da expedição foi perceber as dificuldades de acesso a serviços básicos de saúde enfrentadas por parte da população amazônica. "O que mais me marcou foi perceber que situações básicas do nosso dia a dia ainda são uma realidade distante para muitas pessoas, especialmente o acesso ao atendimento e ao tratamento de doenças que poderiam ser resolvidas com maior facilidade. Também ficou evidente como orientações simples podem esclarecer dúvidas, incentivar mudanças de hábitos e contribuir para a prevenção de doenças", conta.
 
 
Formação conectada à realidade amazônica
 
 
As Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina estabelecem que a formação médica deve contemplar diferentes cenários de prática, permitindo que os estudantes desenvolvam competências técnicas, clínicas e humanas em contextos reais de atendimento.
 
 
Na Amazônia, essa vivência ganha contornos ainda mais relevantes. Comunidades ribeirinhas, populações tradicionais e localidades de difícil acesso apresentam características próprias que exigem dos futuros profissionais capacidade de adaptação, sensibilidade social e compreensão dos determinantes que influenciam a saúde da população.
 
 
Nesse contexto, projetos de extensão e ações comunitárias tornam-se ferramentas importantes para aproximar os estudantes das demandas reais do território onde irão atuar. "A extensão possibilita aplicar os conteúdos estudados em situações reais, tornando o aprendizado mais significativo", reforça Daiane.
 
 
 
Além do impacto na formação acadêmica, as ações também contribuem para ampliar o acesso da população a informações de qualidade sobre prevenção de doenças, autocuidado e promoção da saúde. "Essas iniciativas aproximam a comunidade das instituições de ensino e dos serviços de saúde. São ações que promovem educação em saúde, prevenção e incentivo ao autocuidado, contribuindo para melhorar a qualidade de vida das pessoas atendidas", afirma.
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