TÁTICA N@Z1ST@: Mensagens estimulam boicote a comércios de Rondônia após reeleição de Lula

Mobilização em redes de mensagens estimula consumidores a evitar estabelecimentos de pessoas supostamente associadas ao PT; método similar era usado na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial contra judeus

TÁTICA N@Z1ST@: Mensagens estimulam boicote a comércios de Rondônia após reeleição de Lula

Foto: REPRODUÇÃO VIA PORTAL RIO MADEIRA

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
13 pessoas reagiram a isso.
Apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) organizaram grupos em aplicativos de mensagens e divulgaram listas de boicote a estabelecimentos comerciais e profissionais autônomos nesta terça-feira (27). As publicações circularam em Porto Velho, Vilhena e Guajará-Mirim. Os organizadores das mensagens orientam os consumidores a interromper a compra de produtos e a contratação de serviços das pessoas e empresas listadas.
 
No município de Rondônia situado na fronteira com a Bolívia a relação de alvos surgiu no grupo de WhatsApp "Patriotas", que reunia 536 participantes. O documento listou cerca de 30 estabelecimentos e prestadores de serviços sob o título "Lugares e pessoas de esquerda que apoiam PT". A mensagem inclui orientações diretas de boicote com a frase "Não compre nada e não dê nem água". A lista atinge restaurantes, padarias, salões de beleza, academias e açougues da cidade.
 
"Nenhuma pessoa pode ser perseguida  por suas convicções políticas", disse a deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) durante sessão ordinária na Assembléia Legislativa. Ela conta que já está ciente dos casos de listas de boicotes e relata episódios de demissões de cidadãos que declararam voto em Lula. “Quem for vítima dessas perseguições, comerciantes ou trabalhadores, devem guardar as provas e denunciar”, finalizou.
 
A empresária Cinthya de Melo, proprietária do Instituto da Patroa em Guajará-Mirim, divulgou nota de repúdio e confirmou o recebimento de mensagens com ataques dirigidos à sua atividade. Ela declarou que mantém o atendimento a todos os clientes e defendeu o respeito às opções políticas divergentes sem prejuízos ao trabalho. “Democracia não é concordar com o pensamento do outro, mas respeitar e conviver normalmente”, lê-se na nota.
 
 
REPRODUÇÃO VIA PORTAL RIO MADEIRA 
 
Em Porto Velho, grupos de WhatsApp associados a apoiadores de Bolsonaro também compartilham listas de ‘comércios e empresários petistas’. Gelaterias, manicures, pizzarias e até supermercados constam na lista. Em Vilhena há movimentação similar tanto em grupos de WhatsApp como em outras redes sociais. 
 
 
Contexto histórico 
 
 
A elaboração de listas de estabelecimentos para restringir o comércio de grupos específicos repete métodos adotados no início do regime nazista na Alemanha. 
 
Em abril de 1933, o governo de Adolf Hitler organizou o "Judenboykott", ação coordenada que criou listas de lojas pertencentes a judeus para impedir o acesso de clientes. Integrantes das Tropas de Assalto (SA) e da Juventude Hitlerista permaneceram na entrada dos estabelecimentos para vigiar e afastar os compradores.
 
 
REPRODUÇÃO VIA Deutschlandmuseum
 
O regime nazista utilizou o mapeamento sistemático de estabelecimentos para retirar o meio de sustento de famílias e isolar minorias da vida econômica alemã. Em 1937, a polícia secreta alemã (Gestapo) também criou “listas rosas” para mapear e perseguir homossexuais no país. 
 
Especialista consultado por A Gazeta e apontam que a criação de listas de boicote por motivos ideológicos, étnicos ou políticos compromete o convívio democrático e a pluralidade da sociedade.
 
 
Nacionalmente 
 
 
A prática também ocorre em Santa Catarina. Mapeamento atingiu comerciantes de Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça. No Paraná, empresas e redes de lojas divulgaram notas oficiais de esclarecimento para negar vínculos partidários e reforçar o atendimento ao público em geral.
 
A circulação das listas de boicote motivou acionamentos formais a órgãos de fiscalização e alertas jurídicos sobre a ilicitude da prática. Em Santa Catarina, o advogado Lucas Silvy acionou o Ministério Público do Estado (MPSC) para solicitar a apuração criminal e civil da autoria e do compartilhamento das mensagens divulgadas na Grande Florianópolis, classificando a iniciativa como uma perseguição incompatível com o Estado Democrático de Direito. 
 
No Paraná e no Espírito Santo, empresários e redes de departamento atingidos veicularam notas oficiais de repúdio para reafirmar a neutralidade de suas atividades, enquanto juristas ressaltaram que a incitação ao constrangimento e ao prejuízo econômico de trabalhadores por razões ideológicas sujeita os responsáveis a sanções penais por discriminação e a reparações civis por danos morais e materiais.
 
 
Medidas em Rondônia
 
 
No estado rondoniense a divulgação das listas não motivou registro formal de ocorrência policial até o momento. 
 
De acordo com o Portal Rio Madeira, comerciantes da cidade fronteiriça denunciaram o recebimento de mensagens ofensivas e a tentativa de prejuízo econômico após a inclusão de seus estabelecimentos em grupos de mensagens. 
 
A redação do Rondoniaovivo entrou em contato com o Ministério Público Federal (MPF) para solicitar informações sobre a abertura de investigações, o enquadramento jurídico dos responsáveis e as orientações para o registro de denúncias pelos afetados no estado.
 
 
Saiba onde denunciar demissões, ameaças e assédio eleitoral em Rondônia
 
 
Trabalhadores e cidadãos que sofrerem punição, demissão, discriminação ou intimidação no ambiente de trabalho devido ao exercício do voto ou às suas posições políticas dispõem de canais institucionais para registrar denúncias em Rondônia:
 
Ministério Público do Trabalho (MPT - PRT14): Apura casos de assédio eleitoral e violações nas relações de trabalho. O registro de denúncias pode ser feito pela internet no endereço peticionamento.prt14.mpt.mp.br/denuncia ou pelos telefones (69) 3901-8000 (Porto Velho) e (69) 3411-0400 (Ji-Paraná).
 
Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO): Recebe relatos de ilícitos e infrações eleitorais pelo portal oficial tre-ro.jus.br, pelo Disque-Eleição no número 0800 148 0148 ou pelo WhatsApp (69) 3211-2148.
 
Ministério Público de Rondônia (MPRO): Investiga abusos administrativos e irregularidades cometidas por autoridades públicas estaduais ou municipais por meio do WhatsApp institucional (69) 99954-1584.
 
 
Direito ao esquecimento
Euclides Silva - 27/10/2026 21:23
A direita é uma coisa, a direita EXTREMISTA - que surgiu com BolsoNero é outra. A primeira é civilizada, a segunda é a cara do fascismo. Pior é que essa onda fascista vem crescendo em todos os continentes, o que nos indica fortemente que a humanidade está passando por um processo de desumanização. BolsoNero passo quatro anos vomitando ódio e intoxicando a sociedade. Foi a única coisa que ele sabia fazer e o fez muito bem, infelizmente.

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site