A advogada e ex-secretária executiva da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA), Aline Leon, revelou que a perseguição e os ataques virtuais promovidos pelo vereador Marcos Combate tiveram início após ela identificar irregularidades graves em uma empresa pertencente ao parlamentar. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (21) durante o Plantão
Rondoniaovivo, conduzido pelos jornalistas Ivan Frazão e Paulo Andreoli.
Segundo Aline, o conflito começou quando ela realizava um levantamento de rotina de empresas na SEMA e descobriu que a "Combate Clean" operava de forma irregular. A empresa, que é de grande porte e atua no ramo de sanitização com produtos químicos, estava sem licenciamento ambiental e sem fiscalização há cinco anos, havendo indícios de descarte irregular de resíduos.
A advogada afirmou que, no momento da triagem, sequer sabia que o estabelecimento pertencia ao vereador. A partir dessa descoberta, o parlamentar iniciou uma série de ataques difamatórios. A imagem e os dados da ex-secretária foram expostos para mais de 19.400 seguidores durante cinco dias, resultando em episódios de hostilidade pública contra ela, inclusive dentro de um carro de aplicativo.
CAPTURA: Combate declarava que Leon era 'servidora-fantasma', mesmo com a assiduidade da advogada no trabalho
Além do assédio virtual, Combate invadiu a secretaria de surpresa, filmando e proferindo inverdades em voz alta. Como consequência da exposição, Aline desenvolveu estresse pós-traumático e foi sumariamente exonerada do cargo público sem ter a chance de se defender, o que ela classificou como uma "violência institucional".
Para se proteger do vereador, que, segundo ela, costuma andar armado e acompanhado de seguranças que atuam como "jagunços", a advogada obteve na Justiça uma medida restritiva que o obriga a manter 500 metros de distância e o proíbe de citar seu nome. Ela também ingressou com processos nas esferas cível e criminal contra o político.
Omissão da Câmara Municipal
Durante a entrevista, Aline Leon criticou duramente a inércia da Câmara Municipal de Porto Velho. Ela relatou que protocolou um pedido de cassação contra Combate há um ano, mas as comissões de Ética e de Direito da Mulher não tomaram nenhuma providência e sequer realizaram a leitura do documento.
Segundo a denúncia conduzida pela advogada Aline Leon, os órgãos do Legislativo atuam para dificultar o processo desde outubro de 2025, quando assessorias da Presidência e das comissões se recusaram a receber presencialmente o documento, em uma atitude que viola o direito constitucional de petição e o próprio Regimento Interno da Casa.
Diante da recusa anterior e da recente agressão física cometida pelo parlamentar contra um jornalista nas dependências do Legislativo, a autora precisou oficializar o pedido de cassação via e-mail em maio de 2026. Na notificação, Leon acusa a Câmara de "omissão" por ignorar reiteradamente o comportamento violento de Combate, ressaltando que o ataque ao comunicador não é um fato isolado, já que ela própria sofre perseguições há um ano e acumula 11 boletins de ocorrência contra o político.
Na representação formalizada, a defesa exige que a Câmara cumpra seu papel e realize o protocolo imediato da denúncia, com numeração e comprovação de recebimento. O documento cobra ainda a remessa urgente do caso para as comissões de Ética, de Direito da Mulher e Processante, visando à análise de admissibilidade e à instauração do procedimento legal de cassação para garantir a recuperação da moralidade administrativa.
“A Câmara deveria mostrar que o político age para servir o povo. Vereador de oposição é necessário, mas com responsabilidade, e não fazendo ataques criminosos, caluniosos e injuriosos. Há um ano estou lutando e agora posso representar outras vítimas; tudo tem que ter limite”, declarou a advogada.
A advogada ressaltou que a recente agressão física do vereador contra um jornalista nas dependências da Casa de Leis é apenas um reflexo da impunidade e do que ela própria já sofria nos bastidores.