A capital de Rondônia enfrenta um início de mês violento que quebra a trajetória de queda nos índices de criminalidade registrada no primeiro semestre do ano.
Em apenas 13 dias do mês de julho, Porto Velho já contabilizou sete execuções, acendendo o alerta vermelho nas forças de segurança pública e espalhando o medo entre os moradores, principalmente nas áreas periféricas e nos residenciais populares.
As características dos crimes, execuções sumárias, maioria com características de emboscada e disparos na região da cabeça, apontam para o recrudescimento da histórica disputa de território entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A escalada da violência neste mês contrasta diretamente com os dados consolidados pela Gerência de Estratégia e Inteligência da Sesdec.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o estado vinha registrando uma redução expressiva na violência, com quedas de até 45% nas tentativas de homicídio e cerca de 60% nos casos de feminicídio.
No entanto, o início do segundo semestre rompeu essa calmaria. A audácia das organizações criminosas e o avanço das mortes violentas concentradas no ambiente urbano sugerem um movimento de reposicionamento das facções.
Especialistas e fontes ligadas à segurança pública apontam que a onda de assassinatos coincide com um momento de transição na estrutura das forças policiais, como a recente saída do Coronel Vital, da Secretaria de Segurança Pública do Estado.
No jargão da segurança, o crime organizado costuma testar os limites do Estado e a capacidade de resposta das novas chefias durante momentos de transição política ou trocas de comando.
Enquanto as polícias Civil e Militar tentam sufocar as ações com megaoperações recentes (como a Operação Audácia e incursões da FICCO), a percepção de segurança da população despencou.
O "salve geral" e as ordens emanadas de dentro e de fora do sistema penitenciário deixam claro que a trégua acabou.
Diante do cenário de crise, o patrulhamento ostensivo e o policiamento de choque precisam ser intensificados nos pontos críticos da cidade, como as zonas Leste e Sul, para evitar o efeito cascata das retaliações entre os grupos rivais.
O Departamento de Homicídios investiga a correlação direta entre os sete assassinatos deste mês, mas o histórico recente de confrontos não deixa dúvidas de que a engrenagem das facções voltou a acelerar na capital.