Vinte anos depois, pistoleiros vão a júri
Desde o julgamento dos assassinos de Chico Mendes que as atenções do mundo jurídico não se voltavam com tanto interesse para Xapuri. Dia 28 deste mês estarão sentados no banco dos réus do fórum da cidade os acusados pela morte do sindicalista Ivair Higino de Almeida, acontecida em 1988, ainda antes do crime que vitimou Chico Mendes.
Vinte anos depois serão submetidos ao júri popular Cícero Tenório Cavalcanti, Oloci Alves da Silva e Gentil Alves da Silva, os dois últimos, respectivamente, filho e sobrinho de Darli Alves da Silva, condenado pela morte de Chico Mendes. Os dois casos são intimamente ligados pelo clima de confronto existente na época entre fazendeiros e seringueiros. A impunidade na morte de Ivair Higino foi um dos estopins para fosse levado a cabo o assassinato de Chico, pelo mesmo grupo.
O julgamento em Xapuri será presidido pelo juiz Anastácio Lima de Menezes Filho, que ouvirá, além dos réus, 16 testemunhas. Os advogados dos acusados ainda tentam um desaforamento do júri para Epitaciolândia, alegando “pressões” contra seus clientes, que aguardam o fim do processo em liberdade.
Ivair Higino era integrante do sindicato dos trabalhadores rurais e considerado braço direito de Chico Mendes. Ele foi morto em uma emboscada no dia 17 de junho de 1988.
A partir deste episódio, Chico Mendes ganhou proteção policial e o próprio líder afirmava que seria o próximo da lista da morte, o que se confirmou em dezembro do mesmo ano.
Sem a repercussão do crime contra Chico Mendes, o processo se arrastou por vinte anos e, emblematicamente, será julgado dentro do clima de homenagens previstas para lembrar as duas décadas do assassinato do líder seringueiro acreano.