Presidente do TRT/RO concede entrevista e fala sobre escândalo dos precatórios – Vídeo
Sobre os possíveis envolvidos no caso a Desembargadora falou com cautela, pois de acordo com a presidente do tribunal ainda é cedo para se apontar nomes de servidores e magistrados do próprio TRT que poderiam estar participando desse processo.
A presidente do Tribunal Regional do Trabalho 14º Região, Desembargadora Vânia Maria da Rocha Abensur, concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (6) para tratar sobre a decisão unanime tomada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) nesta ultima terça-feira (5) em que suspendeu o pagamento da União de um precatório que poderia envolver magistrados e advogados em um esquema de fraudes que custaria aproximadamente cinco bilhões de reais aos cofres públicos.
Segundo a desembargadora não existe a situação colocada pelo CONJUR de que mais de R$ 350 milhões de reais já foram levantados e nenhum servidor recebeu os valores devidos.
“Os professores receberam, os técnicos não receberam porque eles foram reenquadrados e pediram uma equiparação salarial. Esse valor apresentado de R$ 358 milhões não consta, posso garantir que não passa dos R$ 100 milhões. Maiores informações eu vou tornar público para a sociedade em um contexto cronológico para que todos tomem conhecimento dessa situação”, disse a Desembargadora Vânia Maria.
A presidente do TRT 14º Região ainda afirmou que o processo está disponível no site do tribunal a disposição de todos que tiverem interesse de saber quais foram os nomes que receberam os valores de uma ação que seria a maior ação trabalhista do país.
“Essa situação está sendo encaminhada ao Tribunal Pleno para a abertura do processo administrativo porque a corregedoria em primeiro momento faz o procedimento de conceder prazo para a defesa dos suspeitos, logo em seguida submete ao pleno para a abertura do processo com o afastamento ou não dos magistrados envolvidos. Por cautela o andamento desse processo de pagamento de precatório está suspenso para que as medidas apuratórias sejam tomadas”, afirmou a presidente Vânia Maria.
Ameaças de morte a magistrados
A situação exposta nos veículos de comunicação de que servidores e magistrados estariam sofrendo ameaças de morte provenientes a situações que envolvem esse processo
também foi colocada em pauta na coletiva.
“Eu não recebi nenhuma ameaça efetivamente, mais houve três juízes que foram ameaçados, de onde vem não se sabe, poderiam ser das pessoas envolvidas, e as ameaças são no sentido de juízes que poderiam atuar nos processos ou juízes que intervissem no caso, porém não há nenhum clima de insegurança para não continuar com o andamento desse processo”, afirmou a desembargadora.
Envolvidos
Sobre os possíveis envolvidos no caso a Desembargadora falou com cautela, pois de acordo com a presidente do tribunal ainda é cedo para se apontar nomes de servidores e magistrados do próprio TRT que poderiam estar participando desse processo.
“Essa questão está em fase de sindicância e não há informação a mais do que já foi exposto à imprensa, ninguém sabe quem está envolvido. Evidentemente a partir do momento em que ficarem constatados os nomes dessas pessoas serão divulgados, isso está sendo investigado no Conselho Nacional de Justiça e outras instâncias superiores”, alegou a Desembargadora Vânia Maria.
A Desembargadora ainda afirmou que ainda não há informações concretas sobre o envolvimento de funcionários do órgão nesse possível esquema.
“A Ministra Eliana Calmon afirmou que uma servidora havia sofrido ameaça de morte, porém ainda não temos conhecimento de qualquer participação efetiva de servidores nesse caso”, afirmou a Desembargadora.
Quando o questionamento sobre uma possível fraude nos documentos envolvendo esses precatórios foi levantado pela imprensa a presidente foi enfática ao afirmar que se houve ainda não é possível relatar como aconteceu e de onde veio as fraudes.
“Não como esses documentos falsos teriam chegados ao processo, foram trazidos pela advogada, agora como ela conseguiu até agora não há como confirmar, isso está sendo apurado pela Polícia Federal”, concluiu a Desembargadora Vânia Maria da Rocha Abensur.