VERSÃO CONTESTADA: Família de agricultor morto por policiais em Vilhena cobra respostas

Segundo os relatos reunidos durante a investigação, ele acabou discutindo com o motorista de um ônibus que estava no local

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Foto: Reprodução

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Domingos de Souza Francisco foi morto em 2020 após ser apontado como autor de um suposto assalto; investigação posteriormente concluiu que o roubo não havia ocorrido
 
A família do agricultor Domingos de Souza Francisco continua cobrando respostas sobre a morte do rapaz, ocorrida em Vilhena em 1º de novembro de 2020, durante uma abordagem da Polícia Militar. Passados quase seis anos, os familiares afirmam que ainda existem pontos que consideram sem esclarecimento e questionam as decisões tomadas ao longo da investigação e dos processos relacionados ao caso.
 
Domingos tinha 37 anos e voltava de uma festa quando parou para acompanhar uma ocorrência envolvendo uma mulher que havia caído na BR-364, nas proximidades da avenida Melvin Jones. Segundo os relatos reunidos durante a investigação, ele acabou discutindo com o motorista de um ônibus que estava no local.
 
Na sequência, o motorista encontrou uma viatura da Polícia Militar e apontou Domingos como responsável por um suposto assalto, afirmando ainda que ele estaria armado. Os policiais abordaram o agricultor e efetuaram disparos que provocaram sua morte.
 
Inicialmente, a versão apresentada à polícia era de que Domingos teria reagido e disparado contra os militares. A investigação, entretanto, apontou que a arma encontrada com ele não havia sido disparada.
 
O inquérito também identificou marcas de disparos no local e perfurações no corpo da vítima. Durante as investigações, o motorista do ônibus mudou sua versão e admitiu que não havia ocorrido o assalto. Ele acabou sendo indiciado por denunciação caluniosa.
 
Família questiona conclusão do caso
 
Mesmo com os desdobramentos da investigação, a família de Domingos afirma que não considera o caso esclarecido.
 
Em novo relato encaminhado à imprensa, uma das irmãs afirma que a família — incluindo os pais, irmãos, parentes e amigos — considera que ficaram muitas questões sem respostas.
 
Segundo ela, tanto o motorista do ônibus quanto os policiais envolvidos acabaram não sendo responsabilizados criminalmente pela morte do agricultor. No caso dos policiais, a família contesta a conclusão relacionada à legítima defesa.
 
A irmã questiona especificamente a dinâmica dos disparos e pergunta como a ação pode ser considerada legítima defesa diante da alegação da família de que Domingos foi atingido por vários tiros pelas costas.
 
“Como que foi legítima defesa com sete tiros pelas costas?”, questiona a familiar.
 
Ela afirma ainda possuir fotografias das roupas utilizadas por Domingos no momento da morte e pretende utilizar o material para reforçar os questionamentos sobre a dinâmica da ocorrência.
 
A família sustenta que as imagens das roupas e outros elementos do caso deveriam ser considerados na busca por uma explicação definitiva sobre o que aconteceu naquela madrugada.
 
Investigação apontou que não houve assalto
 
Um dos principais pontos já esclarecidos durante a investigação foi a inexistência do suposto roubo que motivou a abordagem policial.
 
Segundo as informações divulgadas à época, o motorista inicialmente afirmou que havia sido assaltado por Domingos, mas posteriormente mudou o depoimento e reconheceu que inventou a história após o desentendimento entre os dois.
 
O motorista chegou a ser indiciado por denunciação caluniosa. Posteriormente, porém, houve decisão judicial que resultou em sua absolvição no processo relacionado à acusação.
 
Para a família, o fato de o suposto assalto ter sido posteriormente descartado não encerra os questionamentos sobre a morte de Domingos.
 
Família diz que continuará buscando respostas
 
Os familiares afirmam que a maior dificuldade tem sido conviver com a perda e, ao mesmo tempo, acompanhar um processo que, na avaliação deles, deixou pontos importantes sem uma resposta definitiva.
 
A irmã relata que os pais de Domingos foram profundamente abalados pela morte do filho e que a família precisou lidar também com a exposição pública provocada pela acusação inicial de que ele seria um assaltante.
 
Domingos era agricultor, morava em uma chácara e trabalhava também com a venda de frangos. Segundo a família, ele não possuía antecedentes criminais.
 
Agora, os familiares cobram explicações do Estado de Rondônia e das instituições responsáveis pela apuração do caso. A principal reivindicação é que sejam esclarecidas as circunstâncias da abordagem, a sequência dos disparos e a responsabilidade de cada envolvido.
 
A família afirma que não espera recuperar a vida de Domingos, mas quer que os pontos considerados obscuros sejam esclarecidos e que o caso não seja simplesmente encerrado sem que todas as dúvidas sejam respondidas.
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