Um caso que chocou a zona rural de Porto Velho na manhã desta terça-feira (11) ganhou um novo desdobramento.
O trabalhador rural Orlando Rocha, de aproximadamente 50 anos, sobreviveu a um grave ataque enquanto realizava o manejo de gado em uma propriedade na Linha 21 de Abril, nas proximidades da Estrada da Penal.
A égua que o conduzia não resistiu aos ferimentos e morreu no local e o caseiro foi socorrido pelo Samu e encaminhado ao hospital João Paulo II com ferimentos no rosto e suspeita de fratura na clavícula.
No entanto, a versão inicial de que um felino de grande porte teria sido o autor do ataque passou a ser contestada por especialistas em fauna silvestre e biólogos da região.
De acordo com especialistas consultados pela reportagem, as características dos ferimentos encontrados no animal morto levantam sérias dúvidas sobre a presença de uma onça no local. Onças-pintadas ou pardas atacam suas presas buscando a região do pescoço ou a nuca para quebrar as vértebras cervicais ou sufocar a vítima rapidamente.
A égua apresentava cortes e lesões na parte inferior do corpo (região ventral/pernas), padrão totalmente atípico para o comportamento de caça desse tipo de predador.
Especialistas afirmam que o modo como a égua foi atingida e morta sugere que outro fator possa ter provocado as lesões.
"A onça é um predador de topo de cadeia com um método de abate muito preciso, focado na nuca ou na garganta do animal. Um corte na parte inferior não condiz com a biologia de ataque desse felino," explicou um especialista.
Com as novas evidências e os apontamentos técnicos, o caso sofre uma reviravolta e a causa real dos ferimentos do caseiro e da morte da égua segue sob apuração para identificar o que de fato aconteceu na propriedade rural.