Uma falha na gestão do transporte escolar deixou alunos dos distritos de Porto Velho (RO), especialmente em União Bandeirantes, sem aulas por quase 10 dias. O motivo foi a falta de combustível nos ônibus que atendem as linhas rurais.
Segundo as denúncias debatidas na Câmara Legislativa de Porto Velho nesta segunda-feira (15), o problema não é falta de dinheiro nos cofres públicos. A Prefeitura de Porto Velho está pagando regularmente a Prime, empresa terceirizada contratada emergencialmente para administrar o abastecimento da frota por meio de cartões corporativos.
O problema ocorre, segundo os vereadores, porque a Prime recebe do município, mas não repassa os valores aos donos de postos de gasolina nos distritos, chegando a atrasar pagamentos em até 70 dias.
Sem receber e operando com margens de lucro pequenas, os comerciantes locais cortaram o fornecimento. "A prefeitura está pagando para uma empresa dar calote nos comerciantes", resumiu a vereadora Elis Regina, ex-presidente do PCdoB e atualmente filiada ao Podemos.
O problema também se estende a donos de lava-jatos nos distritos de Ponta do Abunã e Jaci Paraná, que relatam atrasos de 60 dias e cobrança de taxas abusivas por parte da mesma empresa.
A situação foi classificada como uma "gestão irresponsável" por Marcos Figueiredo, parlamentar acusado de assédio e agressão. Ele alertou para o impacto social da paralisação. Segundo ele, a falha atinge cerca de mil crianças vulneráveis, filhas de pequenos agricultores, que dependem exclusivamente dos ônibus para chegar à escola.
Cobrança e explicações
Embora o líder do prefeito, vereador Breno Mendes, também acusado de agressão, tenha informado que o abastecimento em União Bandeirantes foi normalizado na data da sessão, a Câmara decidiu intervir para evitar que o "apagão" no transporte se repita.
Por unanimidade entre os presentes, os vereadores aprovaram o Requerimento nº 033, que convida o secretário municipal de Educação, Giordani Lima, os técnicos responsáveis por fiscalizar o contrato e os representantes da empresa Prime para prestarem esclarecimentos urgentes no plenário da Casa.
O objetivo é apurar por que a empresa reteve os pagamentos e quais sanções a Prefeitura aplicará para garantir que os alunos não voltem a ficar a pé.
Rondoniaovivo tenta localizar representantes da empresa Prime. A reportagem deixa aqui o espaço aberto para o contraditório.