SAÚDE: Rondônia tem 2ª maior taxa de hepatite B do país e capital concentra casos de hepatite C

Dados oficiais apontam que o estado acumula mais de 16 mil diagnósticos de hepatites virais e registra índices proporcionalmente superiores às médias nacionais

SAÚDE: Rondônia tem 2ª maior taxa de hepatite B do país e capital concentra casos de hepatite C

Foto: ILUSTRATIVA - Reprodução via Instituto Paulista de Cirurgia

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Rondônia acumulou 16.086 casos confirmados de hepatites virais no período de 2000 a 2025. As informações constam no Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2026, divulgado em julho deste ano pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde.
 
O documento aponta que Rondônia ocupa o segundo lugar do país na taxa de detecção proporcional de hepatite B, além de registrar uma das maiores incidências de hepatite C do território nacional na sua capital, Porto Velho.
 
 
Hepatite B: taxa de Rondônia é mais de quatro vezes superior à média nacional
 
 
No ano de 2025, Rondônia registrou 406 novos casos de hepatite B, o que representa uma taxa de detecção de 23,2 casos por cada 100 mil habitantes. O índice rondoniense é mais de quatro vezes superior à taxa de detecção média do Brasil no mesmo ano, que foi de 5,2 casos por 100 mil habitantes.
 
Com esse resultado, Rondônia mantém a segunda maior taxa de detecção de hepatite B do país, sendo superado apenas pelo estado do Acre, que registrou 30,2 casos por 100 mil habitantes em 2025. 
 
No acumulado histórico de 2000 a 2025, o estado rondoniense soma 11.367 casos confirmados da doença, correspondendo a 24,6% de todos os diagnósticos registrados na região Norte (46.173 casos).
 
A série histórica recente de Rondônia detalha a seguinte flutuação no volume anual de notificações de hepatite B:
 
2020: 263 casos
2021: 345 casos
2022: 355 casos
2023: 416 casos
2024: 458 casos
2025: 406 casos
 
 
Incidência em gestantes é o dobro da média nacional
 
 
A taxa de detecção de hepatite B em gestantes em Rondônia atingiu 0,7 caso por cada 1.000 nascidos vivos em 2025, com 16 ocorrências notificadas. O patamar representa mais do que o dobro da média nacional de detecção, estabelecida em 0,3 caso por 1.000 nascidos vivos.
 
Ao lado do Mato Grosso (0,7), Rondônia registra a segunda maior taxa proporcional do país nessa categoria de monitoramento, atrás do Acre (0,8). No acumulado de 2000 a 2025, o estado rondoniense identificou 1.470 gestantes com hepatite B.
 
 
Hepatite C: Porto Velho tem a 5ª maior incidência entre as capitais
 
 
Em 2025, o estado de Rondônia confirmou 201 diagnósticos de hepatite C, gerando uma taxa de detecção de 11,5 casos por 100 mil habitantes. No entanto, os dados revelam que o agravo se concentra intensamente no perímetro urbano da capital.
 
Porto Velho registrou uma taxa de detecção de 23,8 casos de hepatite C por 100 mil habitantes em 2025. O índice coloca a cidade como a 5ª capital brasileira com maior taxa de detecção da doença, ficando atrás apenas de Porto Alegre (51,5), Florianópolis (33,0), São Paulo (28,2) e Rio Branco (24,9).
 
A incidência de hepatite C registrada na capital de Rondônia é quase o triplo da média nacional de detecção (8,0 por 100 mil habitantes) e mais do que o dobro da taxa média do próprio estado (11,5). No total acumulado de 2000 a 2025, Rondônia notificou 2.515 casos de hepatite C.
 
 
Hepatite D (Delta): Rondônia acumula terceiro maior volume histórico do país
 
 
Por ser uma infecção viral dependente da presença do vírus da hepatite B para se replicar, a hepatite D (Delta) apresenta indicadores consolidados no estado. No acumulado de 2000 a 2025, Rondônia confirmou 341 casos de hepatite D.
 
Este volume confere a Rondônia a terceira posição entre os estados com maior número absoluto de casos de hepatite D no Brasil, atrás apenas do Amazonas (1.883) e do Acre (1.062). Os três estados concentram a maior parte dos casos registrados no país, cuja distribuição histórica é de 71,8% de concentração na região Norte.
 
O boletim ministerial sinaliza que, após manter estabilidade com registros de 8 casos em 2021, 9 em 2022 e 11 em 2023, Rondônia vivenciou um incremento pontual em 2024, quando notificou 56 casos de hepatite D. No ano de 2025, o estado registrou 1 caso confirmado, sob classificação preliminar de dados.
 
 
Óbitos por hepatite no estado chegam a 988 registros
 
 
O Ministério da Saúde consolidou, por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), o histórico de falecimentos associados às hepatites no estado de Rondônia de 2000 a 2025. No total, 988 mortes foram associadas diretamente ou de forma complementar às hepatites B, C, D e A no estado:
 
Hepatite B: 506 óbitos no total, sendo 309 como causa básica e 197 como causa associada.
 
Hepatite C: 410 óbitos no total, sendo 253 como causa básica e 157 como causa associada.
 
Hepatite D: 56 óbitos no total, sendo 43 como causa básica e 13 como causa associada.
 
Hepatite A: 16 óbitos no total, sendo 12 como causa básica e 4 como causa associada.
 
No mesmo período histórico monitorado (2000 a 2025), o estado de Rondônia também notificou 1.830 casos confirmados de hepatite A e 33 casos de hepatite E.
 
 
Como se prevenir, realizar testes e buscar proteção no SUS
 
 
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente exames diagnósticos, vacinas e tratamentos para as hepatites virais. 
 
A vacina contra a hepatite B é universal e indicada para todas as pessoas, sendo administrada em três doses ao longo de seis meses para adultos que não foram vacinados na infância. Essa imunização também confere proteção contra a hepatite D.
 
 
Já a vacina para a hepatite A é direcionada pelo SUS a crianças menores de cinco anos e a indivíduos com condições específicas de vulnerabilidade acrescida, como pessoas que vivem com HIV ou portadores de doenças hepáticas crônicas. 
 
O diagnóstico precoce pode ser realizado na rede pública por meio de testes rápidos distribuídos pelo Ministério da Saúde. 
 
Para gestantes, a testagem para os tipos B e C é recomendada logo no primeiro trimestre da gestação ou no início do pré-natal, visando ao tratamento oportuno e à prevenção da transmissão vertical para o bebê, que deve receber vacina e imunoglobulina logo após o nascimento se houver exposição ao vírus B.
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