O encerramento do mandato da deputada federal Sílvia Cristina (PP) deverá provocar uma redução significativa nos serviços mantidos pelo Hospital de Amor em Rondônia, principalmente nas unidades de Ji-Paraná e Vilhena.
A parlamentar não foi reeleita para o Senado nas eleições de 4 de outubro e, com o fim de seu mandato na Câmara dos Deputados, deixa de ter condições de assegurar a continuidade do fluxo de emendas que vinha sendo utilizado para custear parte das estruturas e serviços.
Em Ji-Paraná, a redução prevista chega a cerca de 80% e já atinge serviços de prevenção e atendimento.
As carretas de prevenção foram encerradas, assim como ações de prevenção aos cânceres de pele e boca e exames de papanicolau.
O programa Olhar de Amor, responsável por cirurgias de catarata, também foi encerrado.
Em Vilhena, os serviços devem continuar parcialmente até novembro, com aproximadamente metade da capacidade atual. A unidade de prevenção e diagnóstico foi estruturada com recursos destinados pela parlamentar, que também financiou iniciativas do Hospital de Amor em outras regiões do Estado.
A situação também afeta o Dream de Reabilitação. Segundo as informações divulgadas, a unidade deverá operar, até o fim do ano, com menos da metade dos serviços que vinha oferecendo.
Caso não seja estabelecida uma parceria com o Governo de Rondônia, a previsão é de que o programa seja encerrado em janeiro.
O impacto ocorre porque parte importante da estrutura implantada em Rondônia foi viabilizada por emendas parlamentares de Sílvia Cristina.
Em julho, informações divulgadas pelo mandato apontavam que a deputada havia destinado mais de R$ 220 milhões ao tratamento oncológico no Estado, incluindo recursos para os centros de prevenção e diagnóstico de Ji-Paraná e Vilhena.
Naquele momento, foram anunciados outros R$ 42 milhões para o Hospital de Amor.
A própria parlamentar relaciona sua atuação aos centros de prevenção de Ji-Paraná e Vilhena, ao Dream de Reabilitação, ao Olhar de Amor e à Carreta do Amor.
Em seu balanço de mandato, ela informa ter destinado R$ 58 milhões ao Centro de Prevenção de Ji-Paraná, R$ 12 milhões ao de Vilhena, R$ 60 milhões ao Dream e R$ 3,2 milhões à Carreta do Amor.
O problema, portanto, não é apenas a construção ou implantação das unidades, mas a manutenção dos serviços.
Sem a continuidade das emendas que vinham sustentando parte do custeio, as estruturas passam a depender de novas fontes de financiamento, especialmente de parcerias com os governos estadual e federal e de outras formas de captação.
Em Porto Velho, o impacto não será imediato. Os recursos destinados pela parlamentar continuam vinculados às estruturas e serviços implantados na capital, mas a continuidade dependerá igualmente de novas fontes de financiamento após o encerramento do mandato.
Através da assessoria, Sílvia Cristina afirmou ao portal Rondoniaovivo que continuará apoiando o Hospital de Amor enquanto permanecer no exercício do mandato e fará o que estiver ao alcance para evitar a interrupção dos serviços.
No entanto, reconhece que não poderá manter, após o fim da legislatura, o mesmo compromisso de destinação de recursos para o custeio das unidades de Ji-Paraná, Vilhena, do Olhar de Amor e do Dream.
A dependência de emendas para a manutenção dessas estruturas expõe agora um desafio para o Estado: transformar projetos que nasceram e foram ampliados por meio de recursos parlamentares individuais em serviços sustentáveis, com financiamento permanente e participação institucional do poder público.