Para Porto Velho, os efeitos podem alcançar setores que dependem do comércio com o Amazonas
Foto: Divulgação Infra S/A
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A seca provocada pelos impactos do El Niño na região Norte pode elevar em até 150% o custo do transporte de contêineres para Manaus, segundo estudo da A&M Infra, da Alvarez & Marsal, elaborado para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).
O impacto também preocupa cadeias comerciais que conectam Manaus a Porto Velho e outras cidades de Rondônia.
O levantamento aponta que a redução do nível dos rios limita o calado disponível para os navios e diminui a quantidade de carga transportada em cada viagem.
Em um cenário de redução de dois metros no calado, a capacidade de transporte cai 35%, enquanto o custo unitário aumenta 63%.
Em uma situação ainda mais severa, com redução de 3,2 metros no calado disponível, a capacidade de transporte pode diminuir 55%.
O efeito ocorre porque grande parte dos custos da viagem permanece mesmo quando os navios precisam transportar menos carga. Com menor volume transportado por embarcação, o custo por contêiner aumenta.
O problema não se limita ao fluxo com destino a Manaus.
Porto Velho mantém relações comerciais com a capital amazonense, com circulação de mercadorias entre os dois mercados.
Assim, restrições na logística de entrada e saída de Manaus podem provocar reflexos sobre empresas, distribuidores e consumidores rondonienses.
No sentido inverso, a movimentação de cargas de Manaus para Porto Velho também pode ser afetada caso a estiagem comprometa os corredores hidroviários utilizados para a conexão entre os mercados.
Nessa situação, empresas podem enfrentar aumento de custos, necessidade de reorganização das rotas e maior dependência de alternativas terrestres.
O estudo da Abac, porém, não apresenta no trecho citado uma estimativa específica de aumento de custo para a rota Manaus–Porto Velho.
O percentual de até150% refere-se ao transporte de contêineres para Manaus.
A estiagem evidencia, portanto, a dependência da economia amazônica dos rios e a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento diante de períodos de seca severa.
Para Porto Velho, os efeitos podem alcançar setores que dependem do comércio com o Amazonas, caso a restrição da navegação reduza a oferta ou encareça o transporte regional.
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