JANELA DA ALMA: O papel da visão na previsão e detecção da demência

O interesse científico está justamente em verificar se essas alterações aparecem

JANELA DA ALMA: O papel da visão na previsão e detecção da demência

Foto: Magnific

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.

A visão pode desempenhar dois papéis diferentes na demência: alterações visuais podem funcionar como fator de riscoe, ao mesmo tempo, os olhos — especialmente a retina — estão sendo estudados como uma possível “janela” para detectar alterações neurodegenerativas antes dos sintomas cognitivos mais evidentes.

 

1. Alterações visuais e risco de demência

 

Problemas de visão, especialmente quando não corrigidos, estão associados a maior risco de comprometimento cognitivo e demência. A relação não significa que a perda visual, isoladamente, cause demência. Existem possíveis mecanismos envolvendo isolamento social, redução de estímulos sensoriais, dificuldades nas atividades cotidianas e compartilhamento de fatores vasculares e relacionados ao envelhecimento.

 

Por isso, corrigir problemas visuais — por exemplo, catarata, erros refrativos e outras doenças oculares tratáveis — faz parte de uma abordagem potencialmente modificável de prevenção do declínio cognitivo.

 

2. A retina como possível biomarcador

 

A retina é uma extensão do sistema nervoso central e pode ser examinada diretamente de maneira relativamente simples e não invasiva. Pesquisas encontraram alterações na espessura das camadas da retina, nas fibras nervosas, nos vasos sanguíneos e em outros componentes em pessoas com comprometimento cognitivo e doença de Alzheimer.

 

Uma das técnicas mais estudadas é a tomografia de coerência óptica (OCT), que produz imagens de alta resolução das diferentes camadas da retina.

 

O interesse científico está justamente em verificar se essas alterações aparecem antes da demência clínica, quando a pessoa ainda apresenta poucos ou nenhum sintoma cognitivo.

 

3. A retina pode refletir alterações do cérebro

 

Há evidências de associação entre alterações retinianas e características da doença de Alzheimer, incluindo depósitos relacionados à proteína beta-amiloide e alterações relacionadas à tau. Entretanto, os resultados ainda não são suficientemente uniformes para que um exame de retina seja utilizado isoladamente como diagnóstico de Alzheimer.

 

Uma revisão de 2025 destaca que alterações estruturais, funcionais e moleculares da retina podem acompanhar diferentes estágios do comprometimento cognitivo, mas também ressalta problemas de padronização, fatores de confusão e falta de validação longitudinal em populações diversas.

 

4. Inteligência artificial pode ampliar essa capacidade

 

Outra frente é utilizar inteligência artificial para analisar imagens da retinae procurar padrões que sejam difíceis de identificar visualmente.

 

Em um estudo publicado em 2024/2025, pesquisadores combinaram marcadores retinianos obtidos por OCT com biomarcadores sanguíneos. Em uma pequena amostra de 57 olhos, o modelo combinado apresentou AUC de 0,97 para distinguir participantes com Alzheimer pré-clínico daqueles sem evidência de amiloide cerebral. Isso é um resultado experimental promissor, mas não significa que o método já possa ser utilizado como teste diagnóstico populacional: a amostra foi pequena e os próprios pesquisadores apontam a necessidade de validação.

 

5. O principal limite atual

 

É importante separar três coisas:

Achado

O que significa hoje

Alteração da visão

Pode estar associada a maior risco de declínio cognitivo

Alterações na retina

Podem estar associadas à doença de Alzheimer e outras alterações neurodegenerativas

Exame ocular/OCT para diagnosticar demência

Ainda não é um diagnóstico definitivo isoladamente

 

Uma revisão sistemática recente sobre OCT e carga amiloide cerebral encontrou resultados inconsistentes: alguns estudos observaram redução de determinadas camadas retinianas associada à amiloide, enquanto outros não encontraram associação significativa.

 

Em resumo:a visão não deve ser encarada simplesmente como um “teste para demência”. O campo mais promissor é a combinação de exame oftalmológico + OCT + biomarcadores sanguíneos + avaliação cognitiva, eventualmente auxiliada por inteligência artificial. A grande questão científica agora é determinar se esses sinais conseguem identificar, de maneira confiável e padronizada, pessoas em risco antes do aparecimento da demência.

 

Se você estiver pensando nisso para uma reportagem jornalística, o gancho mais forte seria: “Os olhos podem revelar sinais de Alzheimer antes da perda de memória?”— mas a matéria precisa deixar claro que essa possibilidade ainda está em fase de validação científica.

 

Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site