A transmissão religiosa entre gerações deixou de ocorrer de maneira uniforme
Foto: Magnific
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Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) em parceria com a Quaest mostra que 23% dos brasileiros afirmam já ter professado uma religião diferente da atual.
O levantamento, com 15 mil entrevistados em todo o país, revela ainda mudanças significativas entre gerações e um cenário de crescente diversidade religiosa dentro das próprias famílias.
A principal movimentação ocorre entre católicos e evangélicos. Quase 10% dos entrevistados são evangélicos que afirmam ter sido católicos anteriormente.
O percentual corresponde a aproximadamente um terço dos evangélicos, que representam 29% da amostra da pesquisa.
No sentido contrário, 3% dos entrevistados são católicos que já foram evangélicos.
A mudança também aparece na relação entre pais e filhos. Segundo o levantamento, 31% dos brasileiros não seguem atualmente a mesma religião dos pais.
Entre os evangélicos, a pesquisa aponta forte presença de origens familiares católicas: 32% afirmam ter mãe católica e 39% dizem que o pai é católico.
Entre católicos, os percentuais de pais evangélicos são menores: 7% para mães e 4% para pais.
Os dados indicam, portanto, que a transmissão religiosa entre gerações deixou de ocorrer de maneira uniforme.
Famílias com integrantes de diferentes tradições religiosas passaram a fazer parte do cenário brasileiro, enquanto uma parcela da população também se afasta das religiões tradicionais.
Entre os motivos declarados para a mudança de religião, 36% citam maior afinidade com crenças e práticas da nova fé, enquanto 21% mencionam valores morais e éticos e 16% apontam discordâncias com autoridades religiosas.
A discordância política aparece com 5% das respostas.
O fenômeno ocorre em um contexto de transformação da composição religiosa brasileira.
Dados do Censo 2022 mostram que os católicos correspondiam a 56,75% da população de 10 anos ou mais, enquanto os evangélicos representavam 26,85%.
A pesquisa do ISER e da Quaest reforça que, além da mudança no tamanho dos grupos religiosos, o Brasil vive uma transformação na forma como a fé é transmitida e escolhida, com maior presença de famílias plurirreligiosas e trajetórias individuais de conversão ou mudança de crença.
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