Concessão de R$ 8,5 bilhões não recebeu propostas; especialistas apontam fatores que reduziram o interesse dos investidores
Foto: Secom/Caerd
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O leilão para concessão dos serviços de água e esgoto atualmente operados pela Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (CAERD) foi declarado deserto após nenhuma empresa apresentar proposta dentro do prazo encerrado na terça-feira (22). O projeto previa um contrato de 35 anos para atender 40 municípios, com valor estimado em cerca de R$ 8,5 bilhões e investimentos de R$ 4,2 bilhões. A sessão estava prevista para ocorrer em 29 de setembro, na B3, em São Paulo.
Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o resultado ocorre em um momento de menor apetite dos investidores por grandes projetos de saneamento, devido aos juros elevados, menor disponibilidade de capital, compromissos financeiros já assumidos pelas empresas e incertezas sobre a reforma tributária.
No caso de Rondônia, o sócio da Radar PPP, Guilherme Naves,apontou ainda o cenário eleitoral e a resistência política ao projeto como fatores que aumentaram o risco percebido pelos investidores. Ele citou a possibilidade de mudança de governo, manifestações contrárias à concessão e iniciativas para interromper a licitação.

Para José Augusto de Castro, do escritório TozziniFreire, o mercado também está mais seletivo depois do grande volume de leilões de infraestrutura realizado em 2025. Os grandes grupos de saneamento assumiram compromissos elevados e há poucas empresas capazes de participar simultaneamente de grandes projetos.
Já Wilson Sahade, do escritório Lecir Luz & Wilson Sahade Advogados, destacou o custo elevado do capital e a segurança jurídica como fatores decisivos para investimentos de longo prazo.
A modelagem dos contratos também pode pesar. Especialistas apontam excesso de indicadores, custos de monitoramento, ausência de períodos de carência e fragmentação regulatória como obstáculos à entrada de novos investidores.
O resultado coloca o governo de Rondônia diante da necessidade de avaliar os próximos passos para a concessão dos serviços da CAERD, inclusive possíveis ajustes no modelo para tentar atrair novos interessados.
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O resultado não significa, por si só, que não exista interesse privado no saneamento de Rondônia. Ele indica que as condições apresentadas no projeto não foram suficientes para que nenhuma empresa apresentasse proposta dentro do prazo estabelecido.

O próprio governo estadual mantém o projeto de concessão regionalizada em sua estrutura oficial de licitações, enquanto documentos estaduais registram a autorização para o prosseguimento da concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
Com o certame deserto, o governo de Rondônia e o BNDES deverão avaliar os próximos passos e a eventual necessidade de revisão do projeto.
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