Desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e tecnologias Google Cloud, a ferramenta gratuita também indica Soluções Baseadas na Natureza como forma de prevenção e adaptação às mudanças climáticas
Entre as estratégias recomendadas estão a implantação de lagoas pluviais e bacias de retenção, bem como a restauração de encostas com vegetação nativa para a redução de alagamentos e deslizamentos
Um mapeamento inédito da Plataforma Natureza ON revela que Porto Velho (RO) possui 346,59 hectares de áreas urbanas suscetíveis a inundações, alagamentos e enxurradas.
A área corresponde a uma extensão semelhante à do Parque Natural Raimundo Paraguassu de Oliveira, uma das principais áreas de conservação urbana da capital, com cerca de 390 hectares de vegetação preservada.
O levantamento também aponta 22,71 hectares com risco de deslizamentos de terra, indicando áreas prioritárias para ações de prevenção e planejamento urbano.
Os dados se conectam a eventos recentes registrados na capital.
Em novembro de 2025, Porto Velho acumulou mais de 100 milímetros de chuva em poucas horas, resultando em alagamentos em diferentes regiões da cidade e a mobilização de equipes da Defesa Civil.
De acordo com a plataforma, áreas como Mocambo, Baixa União, Triângulo, Areal, Tupi, Olaria e regiões do Centro, especialmente próximas ao Rio Madeira, concentram locais com risco de inundação, alagamento ou enxurrada.
"Em Porto Velho, os eventos extremos são desafios reais, como vimos as inundações que prejudicam as comunidades ribeirinhas. Com o auxílio da plataforma, que atua justamente na identificação dessas áreas críticas, medidas de prevenção podem ser adotadas antes do desastre”, afirma André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.
O Rio Madeira, com mais de 3.300 quilômetros de extensão, influencia diretamente a dinâmica hídrica da região.
Em períodos de cheia, o aumento do nível do rio pode intensificar os impactos das chuvas, ampliando a ocorrência de inundações em áreas urbanas.
Para minimizar os riscos, a plataforma indica Soluções Baseadas na Natureza como lagoas pluviais e bacias de retenção, que armazenam temporariamente a água da chuva, reduzem o volume e a velocidade do escoamento superficial e contribuem para diminuir a sobrecarga do sistema de drenagem urbana.
soluções também auxiliam na melhoria da qualidade da água e aperfeiçoamento de espaços públicos.
Nas áreas com risco de deslizamento, a restauração de encostas com vegetação nativa é apontada como estratégia prioritária.
A técnica contribui para a estabilização do solo, redução da erosão e melhoria da infiltração da água, fatores que ajudam a diminuir a probabilidade de desmoronamentos, especialmente em períodos de chuvas intensas.
A adoção dessas soluções pode contribuir para a redução de riscos e apoiar a adaptação do município aos efeitos das mudanças climáticas.