No dia 4 de outubro de 2026, os eleitores de Rondônia irão às urnas em turno único para eleger dois senadores. Dos 10 candidatos que oficializaram suas candidaturas nas convenções partidárias para disputar as duas vagas titulares, o protagonismo feminino se destaca como uma força histórica e diversa. Ao todo, quatro mulheres disputam as vagas de titular, o que representa 40% das opções de voto do eleitorado rondoniense para a Câmara Alta.
Com perfis que variam de militantes históricas das causas socioambientais a figuras tradicionais com histórico de trânsito em Brasília, as candidatas trazem propostas e histórias que se conectam com a construção da identidade do estado. Conheça, a seguir, o perfil de cada uma delas.
Luciana Oliveira (PT – 133)
Representando o Partido dos Trabalhadores (PT), a jornalista Luciana Oliveira (Luciana de Oliveira e Silva) coloca seu nome na disputa majoritária trazendo como pilares de campanha a defesa da democracia, dos direitos humanos e a ampliação dos espaços para as populações que historicamente tiveram suas vozes silenciadas.
Nascida em Porto Velho, Luciana Oliveira possui uma longa e respeitada carreira na comunicação rondoniense. É bacharel em Direito e especialista em Diversidade e Gênero na Escola pela UNIR.
Trabalhou como repórter, editora e apresentadora de importantes veículos de comunicação televisiva do estado, incluindo a TV RO, a TV Allamanda, a TV Meridional e o Sistema Gurgacz de Comunicação (SGC). Atualmente, ela atua no jornalismo independente por meio do "Blog da Luciana Oliveira" e como colunista e repórter do portal nacional Brasil 247.
Sua atuação social estende-se para além das fronteiras estaduais: desde 2015, é membra da Comissão Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Luciana também integra o Comitê de Participação Social, Inclusão e Diversidade da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e atua como facilitadora de oficinas de comunicação popular em parceria com a Witness Brasil, ajudando comunidades tradicionais e periféricas a contarem suas próprias histórias.
Após disputar eleições como suplente de deputada estadual em 2018 e concorrer à Câmara Municipal de Porto Velho em 2020, Luciana assume o desafio de disputar o Senado com uma plataforma focada na inclusão social, igualdade de gênero, comunicação livre e desenvolvimento sustentável para as populações do Norte.
Ela declarou ao TSE um patrimônio de R$ 80.000,00, mantidos integralmente em dinheiro em espécie como disponibilidade de investimento.
Mariana Carvalho (REP – 100)
Com carreira política precoce iniciada aos 16 anos de idade no PSDB, Mariana Carvalho (Mariana Fonseca Ribeiro Carvalho de Moraes) concorre a uma das vagas ao Senado pela coligação “Com a Força do Trabalho e da União” (composta pelo Republicanos e pela Federação União Progressista).
Nascida em São Paulo em 26 de novembro de 1986, filha do médico psiquiatra e político Aparício Carvalho de Moraes e da jornalista Maria Sílvia Carvalho, Mariana tem 39 anos e é graduada em Direito pela Ulbra e em Medicina pela FIMCA, com especialização em Cardiologia no Hospital IGESP, em São Paulo. Atualmente, concilia suas atividades públicas com o cargo de reitora do centro universitário de sua família.
Sua trajetória nas urnas começou em 2008, quando foi eleita vereadora em Porto Velho com 21 anos. Em 2012, disputou a prefeitura da capital rondoniense, ficando em terceiro lugar como a candidata a prefeita mais jovem do país naquela eleição. Em 2014, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 60.324 votos, sendo a terceira candidata mais votada do estado.
Na Câmara, exerceu dois mandatos consecutivos (2015-2023), atuando como vice-líder de partido e ocupando o cargo de 2ª Secretária da Mesa Diretora da Câmara Federal entre 2017 e 2019.
Após disputar o Senado em 2022 (onde obteve 263.559 votos, ficando em segundo lugar) e a Prefeitura de Porto Velho em 2024 (alcançando o segundo turno com mais de 105 mil votos), ela retorna à disputa majoritária ao lado dos suplentes Francisco Raposo Jr. e Ricardo Maia.
Mariana possui o maior patrimônio declarado entre as candidatas ao Senado em Rondônia, totalizando R$ 3.663.447,56, distribuídos principalmente em aplicações de renda fixa (R$ 1,69 milhão), contas correntes (R$ 624 mil), quotas societárias (R$ 500 mil) e veículos (R$ 457 mil).
Neidinha (PSB – 400)
Ivaneide Bandeira Cardozo, conhecida nas urnas como Neidinha, inicia a corrida eleitoral trazendo como principal bandeira a defesa dos direitos indígenas e a proteção da Floresta Amazônica. Natural de Plácido de Castro, no Acre, onde nasceu em 17 de junho de 1959, Neidinha mudou-se para Rondônia com apenas seis meses de idade, estabelecendo sua identidade e vida no estado.
A infância vivida na floresta, em uma área que hoje pertence à Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, moldou seu destino. Com os pais, aprendeu os caminhos da mata e as propriedades medicinais das plantas. Ao migrar para a cidade, deparou-se com a discriminação sofrida pelas populações tradicionais e decidiu combatê-la.
Formou-se em História pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), impulsionada pelo desejo de provar que Rondônia tem, sim, uma identidade cultural própria, e especializou-se em Análise Ambiental.
Em 1992, Neidinha cofundou a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, organização que lidera e que atua junto a 52 etnias indígenas. Ao longo de mais de três décadas, coordenou expedições de fiscalização, enfrentou invasões de madeireiros e grileiros e realizou os primeiros contatos com povos indígenas isolados.
Sua atuação de relevância global rendeu-lhe prêmios de prestígio, como o Prêmio Chico Mendes, a Comenda Madeira-Mamoré e o prêmio internacional de televisão The 75th Emmy pela participação no documentário The Territory. No campo acadêmico, Neidinha é mestra em Geografia pela UNIR e atualmente cursa o doutorado na mesma instituição, pesquisando etnias e populações amazônicas.
Candidata ao Senado pelo PSB em uma chapa que conta com o jornalista Julio Olivar e a assistente social Berenice como suplentes, Neidinha declarou ao TSE um patrimônio de R$ 571.000,00, composto por uma casa própria (R$ 300 mil), disponibilidade financeira (R$ 150 mil) e um veículo Fiat Pulse (R$ 121 mil).
Sílvia Cristina (PP – 111)
Filiada ao Progressistas (PP), Sílvia Cristina (Silvia Cristina Amancio Chagas) apresenta uma trajetória de ligação com a comunicação e a saúde. Nascida em Linhares, no Espírito Santo, em 15 de janeiro de 1974, ela atuou como jornalista de rádio e professora antes de ingressar de vez na política rondoniense, estado onde reside desde 2003.
Sua carreira eleitoral teve início em Ji-Paraná, onde foi eleita vereadora em 2012 e reeleita em 2016 com expressiva votação. Em 2018, Sílvia Cristina deu um salto em sua carreira política ao ser eleita deputada federal por Rondônia. O feito foi histórico: ela se tornou a primeira mulher negra eleita para representar o estado de Rondônia na Câmara dos Deputados.
No Congresso Nacional, onde cumpre seu segundo mandato consecutivo (2019-2027), Sílvia Cristina ganhou notoriedade por sua intensa atuação na área da saúde pública. Foi integrante ativa da Comissão de Saúde e da Comissão Especial sobre Combate ao Câncer no Brasil, destacando-se pela destinação de recursos e emendas orçamentárias voltadas para o tratamento oncológico e a prevenção de doenças graves.
Nas eleições de 2026, Sílvia Cristina concorre ao Senado Federal pela Federação União Progressista. A parlamentar declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de R$ 1.372.191,69. Entre seus principais bens estão uma criação de 129 animais bovinos (avaliada em R$ 361 mil), uma caminhonete (R$ 270 mil), imóvel residencial (R$ 235 mil) e lotes de terra urbanos e rurais.
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