DURA REALIDADE: Em Porto Velho, aluguel de moto para entregadores chega a custar R$ 1.000 por mês

Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo, Wagner Eufrásio aponta barreiras em financiamento e cita custos operacionais da categoria

DURA REALIDADE: Em Porto Velho, aluguel de moto para entregadores chega a custar R$ 1.000 por mês

Foto: Captura de tela

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
1 pessoas reagiram a isso.
O presidente da Associação dos Motoboys e Ciclistas por Aplicativo do Estado de Rondônia (Amocir), Wagner Eufrásio, detalhou a situação financeira dos trabalhadores de entrega por plataformas digitais e os limites de acesso a políticas de crédito no estado. Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo nesta quarta-feira (13), o dirigente explicou o impacto das despesas de manutenção na rotina dos profissionais e analisou as regras do programa federal Move Brasil.
 
 
Custos operacionais e a rotina de entregas
 
 
Eufrásio contestou a percepção de que a motocicleta seja um veículo de custo operacional irrelevante e descreveu a perda real de rendimento dos profissionais após as despesas de manutenção.
 
"Esse valor não é livre, não é esse valor que o cara põe no bolso. (...) Todos os custos, como eu falei para você, estão nas costas do entregador. Então aqueles R$ 250, para aquele que consegue fazer os R$ 250, acabam se tornando, no mínimo, uns R$ 100, R$ 110 de lucro real para ele. No máximo do máximo (sic)", declarou.
 
O presidente da Amocir também apontou a alta incidência de locação de veículos em Porto Velho como um limitador para a sobrevivência financeira dos trabalhadores.
 
"Além do camarada que não tem uma motocicleta própria, ele roda com a moto alugada pagando aí, chega até a R$ 1.000 por mês de aluguel de motocicleta! O valor de um aluguel de uma casa só para você continuar trabalhando e gerando renda para as plataformas de aplicativo", afirmou Eufrásio.
 
 
As regras do Move Brasil para motociclistas
 
 
Conforme informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o programa Move Brasil disponibiliza linhas de financiamento de veículos com juros reduzidos e carência de dois meses. Para a categoria de entregadores e condutores de aplicativo por motocicleta, as diretrizes federais exigem:
 
Cadastro ativo em plataformas de entrega ou transporte há pelo menos seis meses;
Realização de, no mínimo, 100 corridas ou entregas registradas;
Carteira Nacional de Habilitação (CNH) ativa na categoria "A";
Limite de um veículo financiado por beneficiário
 
Os cadastros são realizados digitalmente pela conta integrada do portal gov.br, sendo a liberação de crédito final condicionada à análise cadastral e fiscal conduzida pela Caixa Econômica Federal ou pelo Banco do Brasil.
 
Segundo o presidente da Amocir, a exigência de regularidade de crédito bancário convencional impede a aprovação de trabalhadores informais que acumulam restrições comerciais.
 
"O governo diz que tem aí o 'limpa nome' para você limpar o nome, mas se tiver com o nome sujo na hora, não consegue, cara. Infelizmente não consegue, porque o critério de avaliação de crédito é o mesmo critério de você ter um financiamento convencional", explicou. 
 
Ele defendeu que a política federal deveria integrar um plano de refinanciamento de dívidas (Refis) às parcelas mensais.
 
 
Sintax obteve liberação de exigência fiscal em Porto Velho
 
 
A discussão sobre restrições administrativas para acessar o financiamento do governo federal possui precedentes recentes no setor de transporte de Porto Velho. Como registrou o Rondoniaovivo, em junho, o Sindicato dos Taxistas de Porto Velho (Sintax), sob a presidência de Francisco Ferreira dos Santos ("Chiquinho do Sintax"), obteve uma liberação para garantir o acesso da categoria ao mesmo programa federal.
 
Na ocasião, a Secretaria Municipal de Trânsito (Semtran) de Porto Velho condicionava a emissão da certidão de autorização necessária para o benefício à quitação total de impostos e tributos municipais em atraso. Segundo estimativas do Sintax, a imposição fiscal inviabilizaria a renovação de frota de mais de 40% das 758 concessões ativas de táxi na capital rondoniense.
 
Após negociações que envolveram a diretoria do sindicato e a Procuradoria-Geral do Município (PGM), obteve-se um parecer favorável assinado pelos procuradores municipais. 
 
O acordo estabeleceu que a Semtran deve emitir as certidões necessárias eletronicamente de forma imediata, postergando a cobrança dos débitos municipais em aberto para o momento em que o taxista retornar à repartição para realizar o emplacamento definitivo do novo veículo zero-quilômetro.
 
Direito ao esquecimento

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site