CONEXÃO RONDONIAOVIVO: Pré-candidato a dep. federal Adrian Jhonnson defende renovação da bancada federal de RO

Ele é psicólogo e escritor e vai se lançar pelo PSB

CONEXÃO RONDONIAOVIVO: Pré-candidato a dep. federal Adrian Jhonnson defende renovação da bancada federal de RO

Foto: Captura de tela

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O psicólogo e artista Adrian Jhonnson (PSB), de 24 anos, é pré-candidato à deputado federal com uma plataforma focada na representação das populações do interior, no fomento à cultura e no apoio aos direitos trabalhistas. Nascido no interior do estado, ele estruturou a candidatura proporcional de forma coletiva, após uma trajetória que mescla a militância partidária na adolescência com a formação acadêmica em Psicologia.
 
Em entrevista ao Conexão Rondoniaovivo desta sexta-feira (10), o pré-candidato detalhou suas propostas legislativas, a visão sobre a polarização política regional e as barreiras financeiras e geográficas enfrentadas por candidaturas independentes fora do eixo econômico tradicional de Rondônia.
 
 
Origem na zona rural e o impacto da formação cultural
 
A trajetória pessoal de Adrian Jhonnson é marcada pelo trânsito entre Ji-Paraná e Urupá, onde sua família atua na atividade agrícola de subsistência. Ele destaca que foi o primeiro de sua geração familiar a concluir o ensino superior, superando as limitações econômicas da região.
 
Ao descrever sua posição e a ausência de conexões de elite na política de Rondônia, Jhonnson recorre a referências da música popular brasileira:
 
"Eu não sou apenas um rapaz latino-americano, mas eu também não tenho dinheiro no banco, só para avisar. E nem parentes importantes".
 
De acordo com Johnnson, sua percepção social foi despertada na infância por meio de projetos de assistência social e arte mantidos no bairro União 2, em Ji-Paraná. O ingresso em oficinas de música e teatro na Fundação de Crédito Espaço Social Sonho Meu serviu como um elemento transformador para sua projeção profissional.
 
"A cultura, o teatro e a música me trouxeram esse vislumbre de querer chegar em lugares diferentes, justamente por ter noção. Antes eu não tinha tantas noções de onde eu poderia chegar, se eu poderia realmente fazer psicologia ou conseguir me graduar. Hoje sou psicólogo, sou artista, já dei aula de música, já fiz de tudo".
 
A atuação civil em conselhos de assistência, Cras e movimentos sociais esbarrou, contudo, em limitações estruturais, o que o motivou a migrar para a atuação partidária representativa.
 
Militância revolucionária e transição partidária
 
A primeira experiência de organização política de Jhonnson ocorreu na adolescência no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), motivada pelo desejo de transformação estrutural.
 
"Eu venho de movimentos revolucionários. O meu primeiro partido em que fui organizado foi o PSTU. Eu lembro que na campanha de 2018 ou 2019 eu tinha a propaganda na TV e passava tudo muito genérico. E aí o pessoal do PSTU passava com fundo preto e letras vermelhas. Eles diziam assim: 'Vote 16, 16 para revolução'. Eu, ainda adolescente, olhei aquilo e falei: 'Gente, isso é o meu coração. Eu quero fazer a revolução. Vamos sair para fazer a revolução agora'".
 
Ele explica que o ingresso na nominata de 2026 do PSB rondoniense ocorreu sob um caráter pragmático de viabilização eleitoral, após perceber que equipes de comunicação e juventude atuavam em coordenações de campanhas alheias sem que suas demandas específicas fossem contempladas pelo legislativo. 
 
Logística de baixo custo e as barreiras no interior
 
O pré-candidato aponta a disparidade de recursos entre as candidaturas majoritárias ricas e as proporcionais independentes como o principal desafio de sua campanha em Rondônia. Sem financiamento de grandes patrocinadores ou acesso a estruturas partidárias robustas, o deslocamento para ouvir as comunidades distantes da rodovia BR-364 depende de apoio comunitário e voluntariado.
 
"Algumas dificuldades que nós temos enfrentado: primeiro, nós não temos padrinho político; segundo, nós não temos dinheiro. E com relação a isso, nós temos algumas dificuldades como a mobilidade, a logística para o estado entre os municípios. E como isso tem nos afetado? A gente às vezes precisa fazer uma conexão corpo a corpo".
 
Jhonnson reforça que o uso das ferramentas digitais e redes sociais não anula a necessidade de estar presente fisicamente nos municípios do interior e na Zona da Mata.
 
"A gente precisa ouvir quem tá na ponta, seja lá na Zona da Mata — Rolim de Moura, Seringueiras e afins — ou até mesmo no interior da própria Ji-Paraná [...] A gente, como lançou a nossa campanha no interesse de ser um trabalho coletivo, vai se ajudando: um dá um pouco de gasolina, outro ajuda aqui a produzir, um amigo ajuda a gravar, o outro ajuda a publicar, o outro ajuda a editar".
 
Psicanálise da polarização e a pauta trabalhista
 
Com formação acadêmica em Psicologia, Adrian Jhonnson analisa a intensa polarização do eleitorado de Rondônia como uma barreira que transforma a divergência de ideias em um processo de eliminação física e moral do adversário político.
 
"A polarização surge com um sentimento. O sentimento é que gera polarização. E que sentimentos são esses? O outro que é diferente de mim, ele não é só o outro que é diferente de mim. Ele se torna o meu inimigo ou o empecilho para a minha vida. Olha que coisa curiosa, que coisa quase fantasmagórica: o outro que é alheio a mim é um empecilho para a minha própria vida".
 
Como alternativa ao extremismo, o pré-candidato propõe o diálogo focado nas necessidades materiais da maioria da população. Ele demarca sua plataforma na defesa da classe trabalhadora de Rondônia, manifestando apoio a movimentos de âmbito nacional, como o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende o fim da escala 6x1 e a revisão de jornadas laborais excessivas.
 
"O meu público será aquele que precisa trabalhar para viver. E aí eu te pergunto: qual o tamanho dessas pessoas que precisam trabalhar para viver? A maioria, vamos dizer, mais de 90% da população. E o que a gente precisa garantir para que essas pessoas possam trabalhar com dignidade e viver com dignidade?".
 
Jhonnson argumenta que o país já possui legislações e estatutos protetivos suficientes, mas que a aplicação prática dessas garantias esbarra no desinteresse dos gestores públicos e detentores do poder político.
 
"A nossa dificuldade hoje é que quem detém o poder da caneta não está interessado em fazer o mínimo, o mais básico, o mais digno".
 
O pensamento eleitoral da candidatura dele se baseia na manutenção da fiscalização pública e no voto consciente como ferramentas de contenção social.
 
"Se a gente perde a esperança e entrega o mínimo poder que nós temos, que é o voto, para os nossos algozes, eles vão nos dominar e vão fazer conosco o que eles quiserem - nos explorar, nos bater... enfim, hoje isso já caiu por terra, mas os nossos direitos não são garantidos integralmente. A gente precisa lutar por eles dia após dia".
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