A redução de 14,5% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciada pela Petrobras nesta quarta-feira (1º) abre possibilidade de impacto positivo no custo das operações aéreas, especialmente em estados da Região Norte, onde o transporte aéreo enfrenta desafios devido aos altos custos.
Em Rondônia, a expectativa é que a redução no combustível ajude a pressionar para baixo um dos principais componentes do preço das passagens aéreas. O estado registra alguns dos valores mais altos do país no transporte aéreo, cenário atribuído por empresas e especialistas a fatores como distância dos grandes centros, menor concorrência de voos, custos operacionais elevados e carga tributária sobre combustíveis.
O novo reajuste da Petrobras reduz em R$ 0,81 por litro o valor do QAV vendido às distribuidoras. Com a mudança, o combustível passa a custar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro nas refinarias da estatal. Esta é a segunda redução consecutiva no preço do produto.
Segundo a Petrobras, a queda foi possível pela redução dos impactos causados pela instabilidade internacional no mercado de petróleo após o conflito no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
A guerra provocou preocupação no mercado global de energia, principalmente devido aos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circulava cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás antes da crise.
Mesmo com a redução, o QAV ainda acumula alta significativa em 2026. O preço permanece 40,5% acima do registrado no fim de 2025, representando aumento de R$ 1,39 por litro.
Nos últimos meses, o combustível teve forte oscilação. Em abril, a Petrobras elevou o preço do QAV em 55%. Em maio, houve nova alta de 18%. Já em junho, a estatal iniciou a sequência de reduções, com queda de 14,2%, seguida agora pela nova baixa.
Impacto no transporte aéreo regional
Para estados como Rondônia, onde o transporte aéreo é fundamental devido às grandes distâncias terrestres, o custo do combustível tem influência direta na formação das tarifas.
Outro fator apontado como responsável pelos preços elevados é a tributação estadual. O setor aéreo defende medidas como redução de impostos sobre o combustível para ampliar a oferta de voos e reduzir o custo das passagens.
A Petrobras informa que responde por aproximadamente 85% da produção nacional de querosene de aviação, mas o mercado é aberto à concorrência, permitindo atuação de outras empresas produtoras e importadoras.
O QAV produzido pela estatal ou importado é vendido às distribuidoras, que fazem o transporte e a comercialização para companhias aéreas e demais consumidores nos aeroportos. A redução anunciada agora ainda depende dos repasses das distribuidoras e das empresas aéreas para chegar ao consumidor final.