A saúde suplementar brasileira registrou resultado positivo no primeiro trimestre de 2026, mantendo a estabilidade financeira observada no mesmo período do ano passado. Dados divulgados na terça-feira (9) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que as operadoras de planos de saúde movimentaram R$ 101 bilhões em receitas entre janeiro e março e alcançaram lucro líquido de R$ 6,3 bilhões.
O resultado representa cerca de 6,2% da receita total do setor e confirma a continuidade da recuperação econômica das operadoras após anos de pressão causada pelo aumento dos custos assistenciais. Apesar do desempenho expressivo, o lucro ficou abaixo dos R$ 7,1 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2025, considerado o maior da série histórica em valores nominais.
Segundo a ANS, 77,7% das operadoras encerraram o período com resultado líquido positivo, percentual semelhante ao observado no ano anterior.
Imagem: Gráficos da ANS
O segmento médico-hospitalar, principal responsável pela assistência aos beneficiários, concentrou a maior parte dos ganhos, acumulando lucro líquido de R$ 6 bilhões. O resultado operacional agregado, que considera receitas e despesas diretamente ligadas à atividade dos planos de saúde, foi positivo em R$ 3,4 bilhões.
Outro indicador acompanhado pela agência é a sinistralidade, que mede o percentual das mensalidades utilizado para custear consultas, exames, internações e tratamentos. No primeiro trimestre, o índice chegou a 81%, aumento de 1,8 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025.
De acordo com a ANS, a elevação foi influenciada por fatores específicos, como a constituição voluntária de provisões técnicas por uma das maiores operadoras do país e o aporte financeiro realizado pelo mantenedor de uma operadora de autogestão. Ainda assim, o percentual continua sendo o segundo menor registrado desde 2020.
Os dados também revelam melhora significativa entre as operadoras de pequeno porte, cujo resultado operacional mais que triplicou na comparação anual, demonstrando maior capacidade de adaptação às condições do mercado.
Além da atividade principal, as receitas financeiras seguem contribuindo de forma relevante para os resultados do setor. Em um cenário de juros elevados, as aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares alcançaram R$ 140,5 bilhões ao final de março. O resultado financeiro somou R$ 3,6 bilhões, repetindo o recorde nominal registrado no mesmo período do ano passado.
Mercado mais concentrado
Junto com os dados econômico-financeiros, a ANS atualizou o Atlas Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar, ferramenta que permite acompanhar a concorrência no mercado de planos de saúde.
A principal novidade da edição é a inclusão de informações sobre grupos econômicos que controlam diferentes operadoras. A análise mostra que, quando empresas pertencentes ao mesmo grupo passam a ser consideradas como uma única organização, os índices de concentração de mercado aumentam significativamente.
A publicação reúne dados de 148 mercados relevantes, abrangendo planos individuais e familiares, coletivos por adesão e coletivos empresariais. O objetivo é ampliar a transparência e oferecer informações mais precisas sobre a participação das empresas, a oferta de planos e o grau de concorrência no setor.
Para o diretor de Normas e Habilitação das Operadoras da ANS, Jorge Aquino, os números demonstram a manutenção da estabilidade financeira do segmento. Segundo ele, a atualização do Atlas também fortalece o acompanhamento da concorrência e amplia a transparência sobre o funcionamento do mercado de saúde suplementar no país.
Os dados completos estão disponíveis no Painel Econômico-Financeiro da Saúde Suplementar da ANS, com informações trimestrais desde 2018.