CARRIE, A ESTRANHA: Série é uma adaptação moderna do clássico de Stephen King - Por Marcos Souza

A série remonta a história da adolescente com poderes telecinéticos que sofre bullying na escola e tem uma mãe extremista

CARRIE, A ESTRANHA: Série é uma adaptação moderna do clássico de Stephen King - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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A série de maior sucesso atualmente nos serviços de streaming é “Carrie, a Estranha”, que está disponível no catálogo do Prime Video desde o dia 7 de outubro e, segundo a Amazon, proprietária da marca, já chegou a alcançar o primeiro lugar na plataforma em mais de 105 países.

 

Baseada no primeiro romance de terror do autor Stephen King, “Carrie”, publicado em 1974 e que resultou na melhor adaptação cinematográfica da sua história original, o filme de mesmo título, dirigido por Brian De Palma, em 1976, é, para mim, a adaptação mais fiel do livro.

 

O sucesso dessa série se deve a um único cara: Mike Flanagan, roteirista, produtor, diretor e editor, que teve uma passagem de grande sucesso pela Netflix ao produzir séries de terror como “A Maldição da Residência Hill” (2018), “A Maldição da Mansão Bly” (2020), “Missa da Meia-Noite” (2021) e “A Queda da Casa de Usher” (2023). Ele também dirigiu o filme “Doutor Sono” (2019), sequência direta do clássico “O Iluminado” (1980), do diretor Stanley Kubrick, também baseado na obra de Stephen King.

 

Flanagan, aqui, faz uma releitura de “Carrie”, atualizando e modernizando a história para os dias atuais, em tempos de celulares, computadores e jovens descolados e independentes. Além disso, insere subtramas na história original que não existiam. A principal delas é o cyberbullying, ao utilizar uma determinada rede social como ponto de partida para uma série de conflitos, brigas e até um suicídio.

 

 

A série, dividida em oito episódios, consegue estender o tema principal da história original de King ao incorporar esse elemento crucial, mas também abre espaço para uma subtrama envolvendo um possível grupo de pessoas que podem ter os mesmos poderes de Carrie.

 

Assim como na história original, Carrie White (vivida pela ótima atriz Summer H. Howell, que fez o pavoroso “O Culto de Chucky”) é uma adolescente criada por uma mãe religiosa e extremamente conservadora (a sempre ótima Samantha Sloyan). Após perder o pai em um acidente de trabalho, Carrie é obrigada pela assistência social a estudar em uma escola regular, seguindo uma determinação legal do Conselho Tutelar. Na escola, Carrie vai sofrer perseguição e bullying por sua condição de pessoa pura e desconhecida, além de ter dificuldade em se relacionar com outras adolescentes da sua idade por causa da criação que recebeu da mãe, que sempre a restringiu do contato com outras pessoas.

 

Ela acaba conquistando a simpatia de uma das jovens e a antipatia de outra, mimada e má. Após passar por um intenso estresse emocional em um acidente involuntário dentro do vestiário feminino, ela revela ter poderes telecinéticos que não consegue explicar.

 

Flanagan consegue utilizar a base do romance de King, mas adiciona novas camadas por meio da ampliação das tramas e subtramas, mantendo o interesse ao longo da série. Ele sabe conduzir bem os episódios, construindo os principais pontos do livro, considerados clássicos, além de explorar o relacionamento abusivo com a mãe, a cena do vestiário e, claro, a mais violenta e brutal sequência de demonstração de poder de uma personagem ficcional: a cena do baile de formatura.

 

 

Vale uma atenção especial a essa sequência, que ainda considero insuperável.

 

O diretor Brian De Palma, em seu filme de 1976, realizou essa sequência — que continua insuperável — com uma excelência absurda. A atriz Sissy Spacek, que, na época, tinha 26 anos e interpretava uma adolescente de 16, conseguiu impor o terror com gestos e expressões inigualáveis. Soma-se a isso a dinâmica do diretor ao retratar os poderes de Carrie, dividindo a tela em dois planos simultâneos, enquanto uma explosão vermelha, com sangue e luzes vermelhas constantes, mantinha toda a sequência em tensão permanente. De Palma criava, assim, uma sinfonia de violência até então inédita para o período, acompanhada pela trilha sonora do maestro Pino Donaggio, colaborador frequente dos filmes do diretor.

 

Inesquecível.

 

Uma das novas camadas mais polêmicas da série é apresentar como funciona o cyberbullying, que consiste em intimidação, perseguição e humilhação, por meio de difamação ou violência psicológica na internet, neste caso, pelas redes sociais. Uma determinada personagem cria um perfil falso no Instagram, utilizando o nome “Carrie Red” (Carrie Vermelha, em referência à situação ocorrida no vestiário feminino). Nesse perfil, são divulgadas imagens de estudantes e até de professores da escola, acompanhadas de legendas e títulos ofensivos, que são compartilhados entre todos.

 

As consequências desse ato vão se agravando, e o diretor tem o cuidado de criar uma expectativa tensa sobre como tudo isso pode terminar muito mal. E assim o faz. Não vou dar spoiler, mas o resultado vai mudar a vida de vários personagens e até mesmo a estrutura da escola.

 

Não vou revelar mais nada. Porém, preste atenção em outra subtrama, quando surge uma personagem específica que vai se tornar amiga de Carrie e terá uma participação fundamental no último episódio.

 

 

Dito isso, devido à grande repercussão que a série vem causando, o Prime Video já anunciou a renovação de “Carrie, a Estranha” para mais uma temporada, dando seguimento a alguns ganchos que ficaram em aberto. Vale ressaltar que Flanagan fez uma adaptação moderna do livro original, com a aprovação do próprio escritor, King, que é um dos produtores.

 

Assista! É uma das poucas produções de streaming que vale a pena assistir atualmente.

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