ELEKTRA VIVE: Classic HQ da Marvel é uma explosão de cores e violência - Por Marcos Souza

ELEKTRA VIVE: Classic HQ da Marvel é uma explosão de cores e violência - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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O roteirista, desenhista e criador veterano Frank Miller fez história na editora Marvel nos anos 1980 e no início dos anos 1990 com o personagem Demolidor, mas é sempre lembrado por ter criado a versão definitiva do Batman para a DC Comics, com o clássico “O Cavaleiro das Trevas”, minissérie de luxo publicada em quatro revistas, em 1986.
 
No entanto, nesse período de farta criação e profícua produção de quadrinhos, após um estrondoso sucesso em sua passagem pela DC Comics com Batman — ele ainda escreveu a clássica “Batman — Ano Um” (desenhada por David Mazzucchelli) —, Miller retornou à Marvel para escrever e desenhar uma espécie de continuação de uma das histórias mais marcantes do Demolidor — o alter ego do advogado cego Matt Murdock, que tem os sentidos ampliados após um acidente envolvendo um isótopo radioativo —: a morte de Elektra, seu grande amor e uma das maiores assassinas de aluguel dos quadrinhos.
 
“Elektra Vive”, publicada em 1991 em um álbum de luxo de grande formato, dentro da série “Graphic Album”, da Marvel, sob o número 06, apresenta, além da história, uma das artes mais elaboradas, magníficas e inspiradas de Miller, que, junto com sua esposa na época, a colorista e pintora Lynn Varley, entregou uma obra-prima visual, de encher os olhos de qualquer fã de histórias em quadrinhos.
 
Quando classifico uma obra — seja um filme, uma série, um livro ou até uma HQ — no patamar de “arte sublime”, não é pouca coisa, não.
 
 
Frank Miller, que estava havia algum tempo afastado da Marvel e se consagrou com o personagem Demolidor no período em que salvou a revista do cancelamento — as vendas eram muito baixas, e a editora já tinha planos de retirá-la do mercado —, recebeu carta branca como última cartada para direcionar o personagem à sua maneira. Miller empregou um ritmo de urbanidade e violência, com traços cinematográficos e uma intensidade até então inédita nas histórias em quadrinhos.
 
O período em que ficou à frente da revista, primeiro como desenhista — com roteiro de Roger McKenzie — e depois como roteirista e desenhista oficial, é classificado por críticos e fãs como a “fase clássica” do personagem, abrangendo as edições de número 158 a 191 da publicação norte-americana.
 
No Brasil, essa fase rica foi publicada na revista Superaventuras Marvel, pela Editora Abril, com grande sucesso de vendas.
 
Voltando a “Elektra Vive”, temos o retorno triunfante de Miller com um Graphic Album protagonizado pelo Demolidor. O texto, a narrativa e as falas em off de Matt Murdock, que vive de forma intensa e quase insana o luto pela morte de Elektra, conduzem-nos por uma tormenta de imagens e ações norteadas pelos sonhos do advogado, que enfrenta o tormento de não conseguir esquecer a morte de seu grande amor, principalmente pela forma brutal como ela foi morta por seu rival, o assassino Mercenário.
 
Em resumo, na história, acompanhamos Matt Murdock, o Demolidor, vivendo um luto profundo e tendo pesadelos recorrentes após a morte de Elektra pelas mãos do Mercenário. Ele questiona se ela está realmente morta ou se retornou às ruas.
 
 
É um espetáculo gráfico no uso do espaço, dos ângulos diversos e das splash pages lindas e absurdamente detalhistas. Miller nunca esteve tão inspirado no formato ampliado da Graphic Album ao compor páginas marcantes — algumas semelhantes a pôsteres e outras com até 16 quadros, bem distribuídos, em uma composição simétrica que reforça a ação e a construção narrativa do personagem Matt Murdock.
 
O resultado brilhante deve-se muito ao trabalho fantástico da colorista Lynn Varley, responsável pelas cores das páginas, que utiliza uma paleta diversificada para dar a dimensão exata dos pensamentos do personagem em sua paranoia de luto e em sua busca por Elektra, que acredita ainda estar viva.
 
Varley, em vez de apenas preencher com tintas planas (chamadas de flat colors) os espaços das páginas desenhadas por Miller, utilizava aquarela, guache, tintas acrílicas líquidas (como as da marca Luma) e aerógrafo. Isso conferiu à obra uma textura orgânica, profundidade e gradação tonal que não são comuns nos quadrinhos comerciais. E, nesta HQ, ela foi ainda mais detalhista e profunda.
 
 
Logo no início da revista, quando acompanhamos Matt indo a uma igreja no centro de Nova York, caminhando por ruas movimentadas e cobertas de neve até entrar no templo para se confessar com o padre, temos uma verdadeira aula de narrativa visual.
 
Acompanhamos as lamúrias do personagem durante a confissão, enquanto os vitrais sacros e religiosos são apresentados em meio às suas reações emocionais.
 
Toda a imersão gráfica deve-se ao trabalho da colorista Lynn Varley, aqui em seu melhor momento. Na minha opinião, superior até mesmo aos trabalhos que já são absolutos em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, nos quais ela usou tons de cinza doentios, verdes ácidos e néons para retratar uma Gotham decadente e distópica, e em “300”, quando utilizou tons terrosos, dourados e um vermelho-sangue dramático para evocar uma atmosfera histórica e mítica.
 
Recomendo muito a leitura a quem gosta de histórias em quadrinhos ou busca uma experiência diferenciada e de excepcional qualidade. “Elektra Vive”, publicada pela Panini, pode ser adquirida no site da Amazon ou no site oficial da editora, com preços que variam de 30 a 60 reais.
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