O filme tem duas cenas pós-créditos muito boas, sendo a primeira surpreendente.
Foto: Divulgação
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O novo filme da Marvel foi lançado quinta-feira passada (04.11) e é desde sempre o filme mais divisível e controverso do seu universo cinematográfico.
Eu poderia gastar laudas e mais laudas para explicar cada ponto que "Os Eternos" propôs ao apresentar um novo grupo de super-heróis que estão no panteão dos deuses, pois eles estão na Terra há mais de 7 mil anos e são frutos de uma evolução criada pelos magníficos "Celestiais", seres com grande poder cósmico que podem decidir o destino de um planeta.
Aqui, no caso, a Terra.
O filme da diretora chinesa Chloé Zao - vencedora do Oscar esse ano como melhor diretora e produtora pelo belíssimo filme "Nomadland" - foge das características dos filmes comuns e pancada da Marvel para aprofundar na existência humana e com uma carga filosófica que divide o grupo em determinado momento para cumprir um embate épico que vai definir a sobrevivência do planeta.
Aqui a proporção é gigante, como uma gênese da criação humana e qual o sentido da vida por gerações.

Os Eternos são dez seres com superpoderes distintos, porém com a missão de proteger os seres humanos dos Deviantes - criaturas reptilianas poderosas e vorazes - e que através de milênios vem tentando exterminar a humanidade com um propósito que é também um dilema.
Após exterminar os últimos Deviantes os Eternos se separam e seguem seus caminhos, e por séculos vivem suas vidas pessoais como quiserem. Até o momento que Ajak (Salma Hayek), nos dias atuais, a líder dos Eternos surge para avisar Ikaris (Richard Madden) - considerado o mais poderoso Eterno - que em sete dias um grande evento vai destruir o planeta.

E os Deviantes, antes considerados extintos, voltam mais fortes e brutos atacando em diversos pontos da Terra. Quando então os Eternos precisam se reagrupar para defender novamente os humanos, mas principalmente buscar em suas vidas e no que passaram no planeta, passando por experiências emocionais distintas e célebres, como lidar com uma ameaça que, na verdade, era uma missão defendida por eles, porém conflituosa.
O filme apresenta o microcosmo emocional de cada um deles, que ao decidirem viver como queriam criaram laços humanos como viver uma família, se apaixonar e tomar para si a responsabilidade de ser um nativo da Terra e não só deuses.

A diretora Chloé Zao, que é uma estilista visual, ama filmar em cenários naturais e com uso recorrente de planos abertos - panorâmicas majestosas - cria cenas épicas, lindas e que são partes orgânicas e dá contextualização as premissas filosóficas sobre a natureza humana e como a Terra é um planeta diferente, o suficiente para que um grupo de heróis - Os Vingadores - enfrentassem Thanos e trouxesse de volta a metade do universo que foi apagada num "blip".
Tudo se encaixa no universo da Marvel.
O filme tem um plot twist na virada final que vai terminar numa sequência de batalha épica de cair o queixo.
As reclamações referentes ao filme e que eu vi em críticas é que o filme não aprofunda o envolvimento dos personagens com os momentos chaves da fase três da Marvel. Afinal onde estavam esses deuses que não protegeram a Terra quando deveriam ou os Vingadores precisaram? No filme explica isso e responde outras dúvidas e questões.
O que me deixou impressionado é que é justificável, coerente e tem tudo a ver inclusive com a resolução final.
É um filme mais lento em alguns momentos, diferente dos filmes anteriores da Marvel e tem uma proposta, que para mim ficou perfeita para o que era intencionado, introduzir de vez o mundo cósmico que vai ampliar o leque desse universo tão rico.
O filme tem duas cenas pós-créditos muito boas, sendo a primeira surpreendente.
Gostei do filme e já é um dos meus favoritos. É ficção científica pura e de primeiro nível. Mas é um filme que vai provocar amor ou ódio aos fãs mais radicais da Marvel.
Nota 8,5
OBS.: Esse filme é simbólico para mim porque marca minha volta ao cinema depois de dois anos sem entrar numa sala por causa da pandemia. Com a flexibilização permitida por causa da vacinação, ver um público assistindo o filme, eu ter a sensação da tela grande na minha frente e viver a imersão de estar nesse filme que tanto aguardei.
É mágico. Eu recomendo muito que se assista no cinema esse filme. Ele fica melhor e mais incrível na tela grande.
Autor: Marcos Gomes é porto-velhense, jornalista e crítico de cinema. Instagram: @marcosgomes
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