Uma infecção rara, de evolução rápida e alta letalidade voltou ao centro das atenções após casos suspeitos e confirmados no Oceano Atlântico. A Organização Mundial da Saúde investiga um episódio envolvendo passageiros de um cruzeiro, com ao menos três mortes registradas.
O alerta se intensificou diante de relatos como o de Jordan Herbst, que contraiu hantavírus aos 14 anos. O que começou com sintomas típicos de gripe evoluiu rapidamente para falência pulmonar. “É como se afogar. Você tenta respirar, mas não consegue puxar o ar”, descreveu.
Inicialmente atendido em Bishop, na Califórnia, com suspeita de pneumonia, o adolescente teve piora acelerada e precisou ser transferido de helicóptero para uma unidade de maior complexidade, onde foi conectado a suporte avançado que substitui as funções cardíacas e pulmonares.
O hantavírus é transmitido, na maioria dos casos, pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores. A possibilidade de transmissão entre pessoas é considerada rara e depende de contato próximo e prolongado.
Os sintomas iniciais costumam dificultar o diagnóstico. Febre, calafrios, dores musculares, dor de cabeça e desconforto gastrointestinal podem surgir entre uma e seis semanas após a exposição quadro facilmente confundido com infecções virais comuns.
O problema é a velocidade da progressão. O vírus compromete os vasos sanguíneos e provoca vazamento de líquido para os pulmões, levando a um quadro respiratório grave. Com a evolução, há queda da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca e perda da eficiência do coração.
Sem tratamento específico, os pacientes dependem de suporte intensivo. Especialistas alertam que a identificação precoce é decisiva, mas ainda é um desafio diante da semelhança com doenças mais comuns.