Uma pensionista de soldado da borracha teve todo o dinheiro da conta bancária retirado após cair em um golpe aplicado por criminosos que se passaram por agentes da Justiça. O caso ocorrido em Porto Velho (RO) acende um alerta para aposentados e beneficiários de servidores públicos sobre o risco de repassar informações pessoais e bancárias por telefone ou mensagens.
Segundo relato da vítima, os golpistas afirmaram que ela teria direito a receber R$ 37.480,00 referentes a uma ação judicial supostamente já transitada em julgado. Para dar aparência de legalidade, enviaram um falso alvará judicial com o número do processo 7053360-40.2017.8.22.0001 e a informação de que a indenização seria depositada automaticamente na conta corrente.
O comunicado fraudulento dizia que a ação movida contra “ANTONIO ALVES MAIA” teria sido julgada procedente, com sentença favorável e valor determinado de R$ 37.480,00, sem possibilidade de recurso. Em seguida, os criminosos solicitaram dados pessoais e bancários sob o argumento de “confirmar” o depósito.
Após repassar as informações, a pensionista teve todo o saldo existente na conta sacado pelos estelionatários.
O vice-presidente do Sindicato dos Soldados da Borracha, George Telles, alertou que criminosos estão direcionando esse tipo de golpe a servidores aposentados e seus beneficiários. Segundo ele, os fraudadores utilizam linguagem técnica, citam números de processos reais ou inventados e pressionam as vítimas com supostas decisões judiciais.
A orientação é clara: nenhuma autoridade judicial solicita dados bancários, senhas ou códigos por telefone ou mensagem. Em caso de contato suspeito, a recomendação é não fornecer qualquer informação e procurar diretamente o sindicato, o advogado ou o órgão oficial para confirmar a veracidade do comunicado.
Para evitar esse tipo de golpe, quem recebe ligação ou mensagem precisa tomar algumas medidas de segurança. Geralmente a principal arma dos golpistas é a urgência e a promessa de valores elevados. Mensagens que informam decisões judiciais, bloqueios de conta ou indenizações inesperadas devem ser tratadas com desconfiança imediata.
Como evitar golpes bancários
Para reduzir o risco de fraudes, algumas medidas são essenciais:
Proteção de dados e acesso
⦁ Nunca compartilhe senhas, códigos de verificação, tokens ou dados completos de cartão. Bancos não solicitam essas informações por telefone ou mensagem.
⦁ Ative a autenticação em dois fatores (2FA) nos aplicativos bancários e no WhatsApp.
⦁ Utilize senhas fortes, diferentes para cada serviço.
⦁ Mantenha celular, computador e antivírus sempre atualizados.
Prevenção a golpes (phishing e PIX)
⦁ Não clique em links recebidos por SMS, e-mail ou WhatsApp, mesmo que aparentem ser do banco.
⦁ Em caso de ligação suspeita, desligue e ligue você mesmo para o número oficial que consta no cartão.
⦁ Antes de confirmar qualquer PIX, confira atentamente o nome do destinatário.
⦁ Desconfie de mensagens com tom de urgência, como “sua conta será bloqueada”.
Segurança física
⦁ Nunca entregue seu cartão a desconhecidos, mesmo que aleguem ser funcionários do banco.
⦁ Não aceite ajuda de estranhos em caixas eletrônicos.
Se cair em um golpe
⦁ Bloqueie imediatamente o cartão ou a conta pelo aplicativo.
⦁ Comunique o banco para registrar a fraude.
⦁ Registre um Boletim de Ocorrência.
⦁ Em caso de PIX fraudulento, solicite ao banco a ativação do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
Casos como o da pensionista mostram que a combinação de promessa financeira e linguagem jurídica convincente continua sendo uma estratégia eficaz para criminosos. A prevenção depende, sobretudo, da recusa em compartilhar dados pessoais e bancários fora dos canais oficiais.