Presidentes de partidos políticos prudentes e responsáveis permanecem mais tempo na direção de suas instituições em geral por que suas decisões se assentam sobre análise isenta dos fatos e visão aquilina da realidade que os cercam.
A história pátria está repleta de exemplos que revelam o predomínio de privilégios menores e pessoais sobre preceitos ideológicos e, principalmente, sobre as legítimas aspirações da coletividade.
Não são poucos, porém, os dirigentes que insistem em transformar os partidos em instrumento de barganha, calcados em ideologias e preceitos políticos superados, herança do passado morto.
Não é à toa que muitos caíram (e continuam caindo) em desgraça perante a opinião e no conceito de que desfrutavam no seio de seus correligionários, perdendo, portanto, o respeito e acatamento.
É mais ou menos isso o que aconteceu, recentemente, com algumas agremiações políticas, em suas seções locais. Enquanto noutras capitais dirigentes souberam compreender a realidade e discernir claramente a respeito de qual o verdadeiro inimigo a vencer, neste momento, aqui, ocorreu o inverso.
Muitos, inclusive, chegaram ao exagero de fazerem coligações esdrúxulas, aniquilando, assim, a possibilidade de suas instituições aumentarem o número de representantes na Assembléia Legislativa, por exemplo, simplesmente, para satisfazerem prerrogativas outras, que em nada se coadunam com as diretrizes partidárias, num conúbio eleitoreiro infame, capaz de fazer o diabo se benzer.
Quer dizer, preferiram manter privilégios imediatos, que a História jamais levará em conta, deixando de fortalecer a legenda e fazê-la avançar em direção a conquistas políticas mais amplas, sólidas e duradouras.
O momento exige mudanças. A predominância de vontade e interesses de certos dirigentes partidários não pode continuar atravancando o caminho das instituições, gerando crises agudas, incompatíveis com as suas finalidades.
A ganância, a vaidade, a intransigência, a visão egoísta dos que só vêem os próprios e inconfessáveis privilégios, vêm empurrando muitas siglas partidárias para o descrédito absoluto e seus dirigentes, antes considerados pessoas decentes e incorruptíveis, transformaram-se em alvos preferenciais de insinuações as mais cabeludas.
Usar siglas partidárias, como moeda de troca, para abocanhar cargos públicos, visando acomodar parentes e apaniguados políticos, ou, então, engordar contas bancárias com um punhado de reais em paraísos fiscais, é coisa fora de moda nos dias atuais.
Decisões contrárias a essa conduta irresponsável e infeliz, não parecem tardar, por parte de filiados, que se recusam, até por uma questão ética, a seguir a orientação inconseqüente de seus comandados, que insistem em confundir a instituição partidária como trampolim à conquista de interesses escusos.