É com um duplo sentimento de tristeza que escrevo as presentes linhas.
De um lado, a enorme perda de um irmão que, no seio da família, sempre representou o que há de mais importante no ser humano: a busca da compreensão, da tolerância e da amizade em equilíbrio com o cumprimento do dever. Em todos os cargos que ocupou com brilhantismo, Hugo Parra Motta deu exemplo de dedicação, trabalho e respeito aos outros e às leis que, como advogado, conhecia e preservava. Por outro lado, há uma tristeza maior em ver que existe, hoje, uma grande parcela do segmento político que não respeita absolutamente nada, somente enxerga o poder a qualquer preço encenando um repugnante espetáculo de completa falta de pudor ao atropelar as regras mais elementares, sejam elas jurídicas ou morais. Há total confronto à Bíblia, que nos ensina que há tempo para tudo.
Na verdade as palavras, por mais belas que sejam, são vazias quando não acompanhadas de atos. De nada vale para os amigos e familiares falar sobre a inegável contribuição de Hugo Motta - seja nas Assembléias Constituintes, na consolidação do Estado ou mesmo na justa homenagem póstuma - quando o luto mínimo, costume de todas as sociedades civilizadas, não foi respeitado devido à ânsia e ganância do poder. Não podemos deixar de manifestar nossa indignação e tristeza diante de fatos assim, que envergonham e mostram claramente como as tradições, as pessoas e a opinião pública têm sido tratadas em nosso Estado.
Quando se executam atos com a celeridade, a falta de tato e de respeito com que foi definida a indicação de um novo conselheiro, não se ofende apenas a memória do nosso irmão, mas se ofende essencialmente o Estado de Rondônia, ao qual ele defendeu e representou de forma impecável. Permanece a certeza de seu exímio cumprimento das leis e regras de civilidade, educação e retidão que todas as instituições primam.
A família Motta, nesse ato, registra seu protesto.
Porto Velho, 06 de setembro de 2007.
RUY PARRA MOTTA