SINPOL/RO: Sindicato apresenta prestação de contas e encaminha relatos ao Conselho de Ética

Diretoria apresentou documentos financeiros, esclareceu contratações e manifestou preocupação com relatos de funcionários sobre a atuação do vice-presidente

SINPOL/RO: Sindicato apresenta prestação de contas e encaminha relatos ao Conselho de Ética

Foto: Divulgação

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A Diretoria Executiva do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Rondônia (SINPOL/RO), presidida por Odair Ozame, realizou, em 30 de outubro de 2026, uma reunião ampliada para apresentar documentos financeiros, esclarecer movimentações bancárias e prestar informações sobre contratos e despesas administrativas.
 
O encontro ocorreu na sede administrativa da entidade e contou com integrantes da Diretoria Executiva, membros do Conselho Fiscal e do Conselho de Ética e Disciplina, representantes de sindicatos parceiros e prestadores de serviços.
 
Durante mais de quatro horas, foram apresentados relatórios, demonstrativos, comprovantes de pagamentos e informações sobre as medidas adotadas pela atual gestão desde sua posse, em abril.
 
Por iniciativa do presidente, os prestadores de serviços participaram diretamente dos esclarecimentos, apresentando informações sobre suas atividades, os contratos firmados e as condições das contratações.
 
A documentação financeira foi entregue ao Conselho Fiscal para análise, conforme as competências previstas no Estatuto da entidade.
 
 
Mais de 70 dias sem acesso às contas bancárias
 
Um dos principais pontos da reunião foi a transferência de R$ 52.098,00 ao presidente Odair Ozame, realizada em 17 de junho de 2026.
 
A administração esclareceu que a movimentação esteve relacionada às despesas assumidas pela presidência para manter o funcionamento do sindicato durante o período em que a nova Diretoria não conseguia movimentar suas contas bancárias.
 
A gestão tomou posse em 5 de abril de 2026. Entretanto, segundo a administração, dificuldades judiciais relacionadas à regularização do registro da ata de posse impediram o acesso aos recursos financeiros por mais de 70 dias.
 
Durante esse período, a entidade continuou responsável por suas obrigações, incluindo salários de funcionários, energia elétrica, água, telefonia, internet, manutenção das instalações e outros serviços essenciais.
 
De acordo com a Diretoria, o presidente Odair Ozame e o tesoureiro-geral Ismael Miranda assumiram providências emergenciais para impedir a paralisação das atividades.
 
A administração afirma que foram utilizados recursos particulares para o pagamento de compromissos institucionais, evitando prejuízos aos trabalhadores e à continuidade dos serviços oferecidos aos filiados.
 
 
Despesas documentadas ultrapassam R$ 63 mil
 
Os demonstrativos apresentados pela gestão relacionam despesas que totalizam R$ 63.781,70, abrangendo pagamentos efetuados entre abril e junho de 2026.
A Diretoria esclareceu que o montante de R$ 63.781,70 representa o total das despesas relacionadas nos documentos apresentados, enquanto os R$ 52.098,00 correspondem à transferência realizada ao presidente.
 
Segundo a administração, o repasse ocorreu sem incidência de juros ou correção monetária.
 
Os registros incluem pagamentos efetuados até 27 de junho, inclusive após a regularização do acesso às contas bancárias.
 
Entre os documentos apresentados estão recibos, notas fiscais, faturas e comprovantes de transferências relacionados a pagamentos parciais de salários, manutenção das instalações e outras despesas operacionais.
 
A administração afirma que os lançamentos foram exibidos durante a reunião e disponibilizados para conferência.
 
A documentação foi encaminhada ao Conselho Fiscal, responsável pela análise das contas. A entrega dos documentos não equivale à sua aprovação definitiva.
 
 
Gestão também atuou para preservar serviços à categoria
 
Além das providências financeiras, a Diretoria destacou que o presidente Odair Ozame e o tesoureiro-geral Ismael Miranda atuaram para evitar a interrupção da assistência à saúde destinada a policiais civis e seus dependentes.
 
Segundo a administração, a prioridade durante o período de dificuldades bancárias foi preservar o funcionamento da entidade, a remuneração dos funcionários e a continuidade dos serviços essenciais.
 
A gestão considera que as medidas adotadas precisam ser examinadas dentro das circunstâncias excepcionais enfrentadas naquele momento.
 
 
Contratos divulgados pelo vice-presidente foram revistos pela administração
 
Outro assunto discutido durante a reunião foi a divulgação pública, pelo vice-presidente, de contratos relacionados a serviços jurídicos, contábeis, administrativos e outras atividades.
 
A Diretoria afirma que os valores apresentados nas divulgações não refletem integralmente a realidade contratual vigente.
 
Segundo a gestão, desde o início do mandato foram promovidas revisões, rescisões, renegociações e adequações dos serviços às necessidades administrativas e financeiras da entidade.
 
A administração também contesta a afirmação do vice-presidente de que seus requerimentos de informações não teriam sido respondidos.
 
Conforme a versão apresentada pela Diretoria, após a formulação dos pedidos, o próprio vice-presidente teria solicitado seu arquivamento durante uma reunião interna, por considerar que os esclarecimentos já haviam sido prestados.
 
A gestão sustenta que essa manifestação foi presenciada por dirigentes e funcionários, motivo pelo qual questiona a posterior divulgação dos documentos acompanhada de alegações sobre ausência de respostas.
 
 
Diretoria contesta divulgação de gravação e ata de reunião interna
 
As divergências entre a administração e o vice-presidente também envolveram a divulgação de um áudio registrado durante reunião interna realizada em 4 de setembro de 2026.
 
Na gravação, o presidente Odair Ozame fez referência a supostas despesas relacionadas à campanha eleitoral da chapa eleita.
 
A Diretoria reconhece a existência da manifestação, mas afirma que o aúdio divulgado não apresenta a integralidade do encontro.
 
Segundo a versão da administração, o presidente teria esclarecido, ainda naquela reunião, que a afirmação possuía caráter hipotético e não correspondia a uma utilização efetiva de recursos sindicais.
 
A gestão nega que o dinheiro do sindicato tenha sido empregado no custeio da campanha eleitoral.
 
Conforme os esclarecimentos apresentados, as despesas da candidatura foram assumidas pelos próprios integrantes da chapa, incluindo o vice-presidente, que teria participado da mobilização e das visitas às regionais do estado.
 
 
Ata divulgada após reunião também é questionada
 
Na noite de 30 de outubro, após o encerramento da reunião de esclarecimentos, o vice-presidente divulgou uma ata referente ao encontro interno de setembro.
A Diretoria afirma que, até aquele momento, os demais dirigentes não tinham conhecimento da existência do documento.
 
Segundo a administração, a ata teria sido elaborada unilateralmente, sem conferência, aprovação ou assinatura dos demais participantes.
 
A gestão também sustenta que o conteúdo não contempla integralmente os esclarecimentos prestados pelo presidente durante o encontro de setembro.
 
Para a Diretoria, documentos destinados a registrar reuniões institucionais devem representar fielmente os acontecimentos e observar os procedimentos previstos no Estatuto.
 
 
Relatos sobre conduta do vice-presidente preocupam funcionários e Diretoria
 
Além das divergências financeiras e administrativas, a atual gestão informou ter recebido relatos de trabalhadores sobre situações de tensão e possíveis constrangimentos atribuídos ao vice-presidente.
 
Segundo a Diretoria, os episódios passaram a ser relatados especialmente após sua liberação para o exercício presencial das atividades sindicais.
A administração afirma que as queixas envolvem abordagens consideradas inadequadas, elevação do tom de voz, conflitos interpessoais e situações percebidas por funcionários como intimidatórias.
 
Os relatos abrangem acontecimentos na sede administrativa, no hotel do sindicato e no Clube Campestre.
 
 
Três funcionários deixaram o quadro da entidade
 
A Diretoria destacou que, no período mencionado, pelo menos três funcionários deixaram de integrar o quadro funcional do sindicato.
 
A administração considera necessário examinar as circunstâncias desses desligamentos diante das reclamações sobre o ambiente de trabalho, embora não atribua automaticamente todas as saídas à atuação do vice-presidente.
 
Uma ex-funcionária relatou, segundo a gestão, que teria enfrentado abordagens insistentes e situações consideradas intimidatórias, que contribuíram para sua decisão de encerrar o vínculo profissional.
 
Outro ex-colaborador, que atuava na sede campestre, também teria manifestado desconforto com a forma como era abordado pelo vice-presidente.
Conforme a Diretoria, os desentendimentos envolvendo esse trabalhador resultaram em tratativas internas e registro de ocorrência.
 
A administração afirma que os relatos despertam preocupação quanto às condições de trabalho e ao relacionamento entre dirigentes e funcionários.
 
 
Funcionária relata filmagem e manifestação interpretada como ameaça ao emprego
 
Entre os episódios apresentados à gestão está o relato de uma funcionária administrativa sobre uma situação ocorrida durante o expediente, em um período de pouca movimentação na sede sindical.
 
Segundo a trabalhadora, o vice-presidente estaria filmando o ambiente de trabalho quando ela solicitou expressamente que não fosse incluída na gravação.
A funcionária afirma que, após o pedido, ele teria reagido de maneira grosseira, batendo na mesa e fazendo referências à existência de uma suposta “árvore de empregos”.
 
Conforme seu relato, o vice-presidente teria afirmado que iria “quebrar o galho” em que ela estava.
 
A colaboradora interpretou a manifestação como uma possível ameaça à continuidade de seu vínculo profissional, especialmente pela forma como as palavras teriam sido proferidas.
 
Ela também relatou que o episódio ocorreu durante a tarde, em um momento de pouca circulação de pessoas nas dependências administrativas.
 
Segundo a trabalhadora, a circunstância, associada a situações anteriores de tensão, intensificou sua sensação de medo e vulnerabilidade.
 
A Diretoria afirma que recebeu outros relatos de funcionárias sobre episódios em que o vice-presidente teria elevado o tom de voz, batido em mesas e adotado posturas percebidas como intimidatórias.
 
A administração considera preocupante que trabalhadores responsáveis pelas atividades cotidianas da entidade relatem receio durante determinadas interações com integrantes da própria direção sindical.
 
 
Mensagens e requerimentos durante a madrugada são questionados
 
Outro ponto apresentado pela administração refere-se ao envio de mensagens e requerimentos diretamente a funcionários e prestadores de serviços fora do expediente.
 
Segundo a Diretoria, há relatos de comunicações encaminhadas pelo vice-presidente por volta de meia-noite e uma hora da manhã, contendo solicitações e cobranças relacionadas a assuntos administrativos.
 
A gestão considera necessário avaliar a frequência dessas mensagens, seu conteúdo e a forma como os destinatários foram abordados.
 
Na avaliação da administração, o exercício de um cargo de direção sindical deve observar as competências estatutárias e preservar a dignidade profissional dos trabalhadores.
 
A Diretoria ressalta que eventuais cobranças administrativas não devem resultar em situações de constrangimento, pressão indevida ou comprometimento do ambiente de trabalho.
 
 
Conselho de Ética e Disciplina recebe solicitações de análise
 
Diante dos acontecimentos, a Diretoria informou que encaminhou ao Conselho de Ética e Disciplina solicitações de análise e deliberação sobre a conduta do vice-presidente.
 
Os encaminhamentos abrangem questões relacionadas ao exercício de competências estatutárias, à atuação no ambiente institucional e ao relacionamento com funcionários.
 
Entre os pontos apresentados estão relatos de possíveis constrangimentos, abordagens inadequadas, conflitos nas dependências do sindicato e comunicações dirigidas aos colaboradores fora do expediente.
 
A administração considera que os episódios precisam ser examinados de maneira responsável, com avaliação dos documentos, relatos e demais elementos disponíveis.
 
O encaminhamento ao Conselho de Ética não representa conclusão sobre a responsabilidade do vice-presidente. A apuração deverá respeitar o contraditório e a ampla defesa.
 
A Diretoria reafirma que o exercício de funções sindicais exige respeito às pessoas, observância das atribuições estatutárias e responsabilidade na condução das atividades institucionais.
 
 
Transparência e fiscalização das contas
 
Ao final dos esclarecimentos, a gestão reafirmou seu compromisso com a apresentação de documentos e com o acompanhamento das informações pelos órgãos estatutários.
 
A administração destacou que a reunião de 30 de outubro foi convocada para permitir a exposição dos dados financeiros, o esclarecimento das dúvidas levantadas e a participação dos responsáveis pelos serviços contratados.
 
A documentação relativa à prestação de contas foi entregue ao Conselho Fiscal, ao qual compete examinar os demonstrativos e comprovantes apresentados.
 
A Diretoria também defendeu que as divergências internas sejam tratadas pelos procedimentos previstos no Estatuto, respeitando as competências de cada dirigente e as deliberações dos órgãos colegiados.
 
Para a gestão, a prioridade permanece sendo a defesa dos policiais civis de Rondônia, a continuidade dos serviços prestados à categoria e a administração responsável dos recursos sindicais.
Direito ao esquecimento

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