Um estudo realizado em Porto Velho (RO) apresentou dados sobre a saúde na terceira idade: de 205 idosos diagnosticados com Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), 89,1% (155 casos) são mulheres e 10,9% são homens. A pesquisa, publicada em junho na Revista da Emeron, analisou o perfil de 415 pacientes atendidos entre 2021 e 2022 no Laboratório Eldorado e aponta falha no rastreamento da saúde da população do sexo masculino.
Segundo o artigo "Diabetes mellitus e o desafio do envelhecimento na Amazônia Ocidental", de Rodolfo Teixeira Fernandes, a proporção de homens diagnosticados não indica que eles adoecem menos. O número reflete a falta de busca por atendimento preventivo nos postos de saúde, o que gera subnotificação. Sem comparecer à Atenção Primária, os homens chegam aos hospitais com quadros de falência renal ou necessidade de amputações, o que onera o Sistema Único de Saúde (SUS) com internações.
Privação de capacidade
O estudo argumenta que o diabetes atua como "privação de capacidade", pois retira a autonomia de locomoção dos idosos. Esse cenário gera o que o autor classifica como "desenvolvimento às avessas": demonstra que o crescimento da economia da região Norte não se converte em qualidade de vida e saúde. O impacto atinge as mulheres, que acumulam sobrecarga de trabalho e enfrentam dificuldades na segurança alimentar.
Para reverter o quadro, a pesquisa propõe que o cuidado com o idoso atue como vetor de desenvolvimento da região. Entre as soluções recomendadas estão a criação de um observatório de doenças crônicas, integrando o banco de dados de laboratórios privados com a rede do SUS, e a elaboração de programas de nutrição com base na biodiversidade da Amazônia.